O poder das balzaquianas
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quinta-feira, 06 de março de 2003
Giovana Kindlein<br> Reportagem Local 
Ele tem 25 anos. Ela, 34. Ele é acadêmico de Arquitetura na Universidade Estadual de Londrina (UEL). Ela, jornalista profissional, apresentadora de televisão na TV Mix. Parecem diferenças, mas as aparências enganam. Elas não existem para Denis Ballarotti e Juliene Iscaramal Bicas, que formam há dois anos e oito meses um casal harmonioso. ''Ela tem um encanto próprio por ser mulher, não mais uma menina'', declara o namorado apaixonado.
Para muitos homens, as mulheres maduras são mais encantadoras do que as garotas de 20 anos. ''A maneira de se comportar é diferente de uma garota mais nova, ela é equilibrada e sabe o que quer'', afirma o estudante de Direito, Lucas Schietti, 18. Ele namora a formanda em Turismo e Hotelaria, Ana Carolina Forte, 22. Schietti se sente mais seguro ao lado dela do que com garotas adolescentes. ''Ela representa fidelidade, confiança e segurança'', sintetiza.
Complexo de Édipo A forte atração masculina pelos atributos das mulheres com mais de 30 anos pode ter uma razão inconsciente. Segundo o médico e psicanalista, Marcelo José Castro, existem dois pontos de partida para a reflexão dos relacionamentos amorosos onde os parceiros têm idades muito distintas.
O primeiro, de origem psicanalítica, pode significar uma reprise de um drama vivenciado na primeira infância, entre quatro e seis anos de idade. ''Freud mostrou com o Complexo de Édipo que todo ser humano tem a mãe como primeiro objeto amoroso. Quem é a mãe, senão uma mulher mais velha'', observa ele. Salienta, entretanto, que nunca haverá razões e casais iguais. ''A individualidade de cada união deve ser respeitada e considerada'', reconhece Castro.
O segundo aspecto vem de fora para dentro. A psicologia social mostra que a cultura contemporânea apresenta dificuldade em lidar com a morte e o envelhecimento. Castro explica que, acelerado pelo esvaziamento de ideais, o imediatismo e o consumismo, o ser humano busca com avidez o mito da eterna juventude. Botox, peeling, lipoaspiração e cirurgia plástica são alguns exemplos e, para completar, o namoro com uma pessoa mais jovem. ''Gatões sarados são a versão pós-moderna do elixir da eterna juventude'', diz o psicanalista.
Mas Castro faz questão de dizer que a busca pelo ideal estético, resguardados seus limites, ''vai de encontro ao aspecto saudável do nosso narcisismo''. O perigo está, classifica ele, quando o ideal estereotipado serve para substituir o interior esvaziado. ''O destino costuma ser triste ou trágico quando o sujeito busca suprir de maneira alienada os vazios de sua interioridade empobrecida'', conclui.
Amor e fé Denis e Juliene não sentem os nove anos que existem entre um e outro. ''Não temos diferença nenhuma'', garante ele. A forma decidida e firme de Juliene encarar a vida e o relacionamento fez com o namorado mudasse conceitos. ''Minha fé religiosa aumentou. Com a Juli, participo do grupo de Renovação Carismática'', testemunha o futuro arquiteto. Não é raro vê-los nas missas, uma ou duas vezes por semana, nas igrejas de São Vicente de Paulo e Sagrados Corações. ''O Denis veio como uma benção'', resume a jornalista. Ao contrário do namorado, ela admite que existem diferenças, mas que são tratadas com tranquilidade entre eles. ''Temos um namoro de muita paz'', confessa.
A independência profissional e a segurança emocional são outras características admiradas pelos fãs masculinos. ''Ela é inteligente. Aprendi muito com o meu amor'', enfatiza Denis. Já o irmão mais novo de Lucas Schietti, o Thiago, 16, que tem um affair por uma garota de 20, acha que ''com a segurança emocional dela, ele ganha experiência na vida''.
Diferenças Por outro lado, as mulheres mais velhas sentem, às vezes, diferenças gigantescas entre namorar um rapaz jovem e um homem de meia-idade. A profissional liberal Lúcia Vieira, 45 anos, diz que em certa ocasião teve um relacionamento com um rapaz. O sexo não é um fator determinante, a princípio, mas, segundo ela, quando uma mulher madura passa por essa experiência, muda de opinião. ''Você percebe a diferença de desempenho sexual. É completamente diferente'', considera e sugere que ''os homens mais velhos não deveriam ter vergonha de usar Viagra''.
Lúcia cita o comportamento das próprias mulheres como exemplo: ''Elas se cuidam, usam Botox, fazem cirurgia plástica e se embelezam com cosméticos''. Apesar disto, Lúcia ainda prefere os homens mais velhos. ''Pesando os prós e contras, é melhor ficar com os maduros'', conclui.
Entre prós e contras do relacionamento amoroso, no fim das contas, não é a idade dos apaixonados que vai determinar a felicidade de cada um. ''Não existe receita de felicidade'', argumenta o psicanalista. Segundo ele, os desafios existem, tanto para casais com idades distintas como para casais de mesma faixa etária. ''A questão é saber identificá-los para encontrar o caminho da solução. Não dá para aceitar a discriminação e nem a idealização'', finaliza. n


