A obesidade em crianças e jovens é hoje bastante comum e motivo de preocupação para pais e médicos, que muitas vezes se sentem incapazes de ajudar os pequenos a emagrecer. Segundo a psicóloga Patrícia Vieira Spada, mestre em nutrição e autora do livro Obesidade Infantil Aspectos Emocionais e Vínculo Mãe/Filho, isso ocorre porque a perda de peso vai mais além das dietas e exercícios.
''A origem do problema pode estar na relação mãe/filho que se estabelece nos primeiros meses de vida. A mãe, ausente por diversos motivos trabalho, vida social, falta de ''vocação'' sente-se culpada ou tenta resolver da maneira mais rápida possível o choro de seu bebê, oferecendo leite e outros alimentos, mesmo em saber se o que incomoda o filho é uma dor ou simplesmente o desejo de atenção e companhia. No inconsciente da criança, vai se instalando lentamente a idéia de que comer é o desfecho de todo processo que envolva angústia ou sofrimento. Mais tarde, esta associação indevida pode levar a distúrbios e gerar a obesidade infantil'', explica.
Angústias x comida Sem desprezar a influência de fatores genéticos e do estilo de vida sedentário da sociedade urbana ocidental, Patrícia Spada acredita que aprendemos com as mães a criar esses mecanismos compensatórios, que colocam a comida como saída para liberar as angústias. Ter um pai ausente ou conviver com brigas frequentes são outros pontos que podem aumentar a angústia da criança e acentuar o comportamento que leva ao ganho de peso.
Por isso, muitos tratamentos contra a obesidade, como dietas, atividade física intensa e até cirurgias têm resultados apenas parciais ou temporários. Como é impossível acabar totalmente com as pressões, mesmo para uma criança, mais cedo ou mais tarde é provável que a comida volte a se tornar uma válvula de escape. ''A terapia trabalha justamente a insistência diante dos fracassos, mostrando a origem do problema e oferecendo à própria criança uma ferramenta para interromper o processo'', explica a autora.
Para quebrar esse círculo vicioso, a psicóloga recomenda que a reeducação alimentar e os exercícios físicos sejam acompanhados por sessões de psicoterapia que envolvam a família e tenham foco no relacionamento com a mãe. ''A mãe também deve fazer terapia. Muitas vezes, ela pode sentir pena ou até raiva da filha, por não ser perfeita. É sempre difícil aceitar a idéia de que erramos em algo ao criar nossos filhos, mas despertar essa consciência é fundamental para a eficácia do tratamento.''


Saiba como incentivar as crianças a comer melhor

- Mantenha a presença de verduras e legumes nas refeições, mesmo que a criança não os aceite. O que é visto é lembrado e cria-se o hábito.
- Respeite a recusa de um alimento, mas não desista. Ofereça-o novamente, variando seu preparo ou apresentação.
- Sirva as refeições sem a presença de sucos, refrigerantes ou líquidos açucarados.
- Não utilize os alimentos como recompensa ou castigo.
- Mude a lista do supermercado (dê preferência a alimentos saudáveis).
- Evite o excesso de alimentos ricos em gordura, açúcar e sal.
- Dê o exemplo. Se os pais comem errado, os filhos também comerão.
- Evite os beliscos. (H.F.)

mockup