Fazer limpeza dentro de casa não envolve apenas um trabalho braçal e cansativo. As donas de casa e profissionais domésticos, que estão diariamente em contato com produtos de limpeza, também são vítimas constantes de acidentes e intoxicação por substâncias químicas. Este foi o resultado de uma pesquisa realizada pela Planitox, empresa paulista de Planejamento, Assessoria e Informação em Toxicologia, que se baseou em 6.297 casos de emergências toxicológicas. Os acidentes foram registrados no período de 1998 a 2000 por produtos dos segmentos de cosméticos, praguicidas, medicamentos, produtos químicos industriais, domésticos, plantas e alimentos.
De acordo com dados da pesquisa, 47% das emergências atendidas foram causadas por produtos domésticos e 36% por praguicidas. De todos os atendimentos, 56,3% foram do sexo feminino, contra 43,3% do masculino. Entre as faixas etárias mais expostas, os índices indicam que ocorrem entre 21 e 35 anos, com 25,6%, seguido pela faixa de 1 a 5 anos, com 20,8%, e 36 a 55 anos, com 20,5%.
Segundo o serviço telefônico 24 horas de emergência toxicológica da Planitox, as donas de casa são as mais prejudicadas por estarem em contato diário com produtos químicos e não tomarem os cuidados necessários ao usá-los. ‘‘Na maioria dos casos que atendemos, as intoxicações são causadas por mau uso do produto’’, diz a enfermeira Cybele Tomazin, gerente técnica do serviço. Por exemplo, donas de casa que fazem uso desses produtos em locais fechados sem proteger as mãos, podendo apresentar sintomas como descamação e coceira nas mãos, dor de cabeça e outros.
Um dos problemas é que a maioria das pessoas que utiliza esses produtos não lê a embalagem e, consequentemente, não segue corretamente as instruções de uso. Segundo Cybele Tomazin, deve-se respeitar rigorosamente a quantidade a ser usada e a forma de diluição indicadas na embalagem. Se tiver qualquer dúvida, a dona de casa deve ligar para o Serviço de Atendimento ao Consumidor (SAC) da empresa. ‘‘O uso de luvas de borracha é necessário, principalmente no caso de a consumidora possuir antecedentes alérgicos. A recomendação é sempre procurar um médico caso apresente qualquer sintoma após exposição a um produto’’, completa a enfermeira.

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