O perigo mora em casa
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quinta-feira, 08 de outubro de 1998
Celso Mattos 
Estatísticas hospitalares demonstram que a casa nem sempre é o lugar mais seguro para a criança. Cerca de 70% dos casos de acidentes com ingestão de substância químicas, queimaduras, afogamento, choques elétricos, entre outros, acontecem no ambiente doméstico. São fatalidades possíveis de ser evitadas, desde que tomados os devidos cuidados. Na verdade, este é um problema que se tornou mais frequente depois que as mães começaram a trabalhar fora de casa, deixando os filhos sob cuidados de terceiros.
DivulgaçãoMuros e escadas também representam um perigo à integridade física das criançasPara a médica pediatra Andréa Janot Martins, os casos mais comuns são os que envolvem fogo e ingestão de produtos de limpeza. Fósforo, álcool, detergente, querosene, facas, tesouras e medicamentos não podem ficar ao alcance das crianças. Se o pai, por exemplo, acende a churrasqueira na frente do filho, ele deve explicar o perigo que aquilo representa, orienta a pediatra. Ela ressalta que em alguns casos, a criança vai parar no hospital por culpa dos próprios pais. É o perigoso hábito da automedicação. Já atendi uma criança em estado grave porque os pais usaram descongestionante nasal de adulto no bebê, exemplifica.
A exemplo do que aconteceu recentemente em Guararapes (SP), onde um menino de 1 ano morreu afogado num aquário, a pediatra recomenda cuidado redobrado quando se trata de água. Existem casos de afogamento no vaso sanitário. Banheiro e cozinha são lugares em que crianças não devem ficar sozinhas, observa. Andréa Janot Martins diz que outro acidente muito comum é a mania que as crianças têm de enfiar grãos ou pequenos objetos no nariz ou no ouvido. Dependendo da situação, os pais não devem tentar retirar, mas levá-la até ao hospital para um atendimento adequado.
A pediatra lembra que como existe nas empresas a CIPA - Comissão Interna e Permanente de Acidentes, deveria existir também uma CIPA doméstica. Toda a família deve se unir na prevenção de acidentes tomando cuidados como: não deixar medicamentos, produtos químicos, facas e tesouras ao alcance das crianças, tomadas precisam ter protetores, quem mora em apartamento deve colocar grade ou tela nas janelas e quem tem piscina em casa precisa colocar rede de proteção. Mesmo com todos esses cuidados, a criança nunca deve ficar longe dos olhos de um adulto, enfatiza a médica. Veja no box, as orientações da pediatra Andréa Janot Martins sobre como os pais devem proceder, dependendo do tipo de acidente.


