O perigo está ao lado
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sexta-feira, 09 de janeiro de 2009
Herika Fondazzi<br> Reportagem Local 
A infância é uma época cheia de desafios, descobertas, experiências e também acidentes. Com tanta disposição e falta de maturidade, as quedas, queimaduras, afogamentos, choques e outros ferimentos são comuns. E o local mais perigoso para as crianças é a casa onde elas moram. Segundo uma pesquisa feita pela enfermeira Shirley Rangel Gomes, do Hospital São Camilo, em São Paulo, 63,3% dos acidentes com crianças entre 0 e 14 anos ocorrem em casa.
Para a enfermeira especializada em saúde da criança Irene De Lazari, o grande causador de tantos acidentes é a falta de um adulto por perto. ''Muitas vezes os pais precisam trabalhar e os filhos ficam sozinhos ou apenas com a empregada doméstica em casa. São nos momentos em que estão sem supervisão que as crianças fazem coisas perigosas'', diz.
Para evitar os acidentes, ela aconselha os pais a deixarem um adulto responsável pela criança. O nível de cuidado varia de acordo com a idade dos pequenos. ''Até os quatro anos é necessário ter alguém 100% do tempo cuidando. Não precisa estar olhando a criança o tempo todo, mas deixá-la sob sua visão. Se estiver limpando algum cômodo ou cozinhando, o ideal é colocar a criança por perto, em um cercado. Só depois dos 4 anos que é possível deixá-las sozinhas, mas ainda assim em locais livres de perigo'', afirma.
De acordo com a enfermeira, cozinha e lavanderia são lugares proibidos, devido ao perigo de produtos de limpeza, ferro de passar roupas, facas, fogão. ''Grade nas escadas, telas nas janelas, panelas no fogão com os cabos para dentro, gavetas com garfos e facas sempre no alto, tampa nas tomadas, protetores nos cantos dos móveis, objetos pequenos longe do alcance são outros cuidados importantes. E sempre orientar os filhos como agir com segurança'', ensina.
O acidente mais comum, que causa o maior número de internações em hospitais entre crianças pequenas, são as quedas. Elas podem ser evitadas com berços fechados, colo seguro. Já os afogamentos, grandes responsáveis pela morte de crianças, acontecem em atividades de rotina. ''Muitos bebês se afogam durante o banho, enquanto o adulto vai buscar alguma coisa. Ou então nos baldes espalhados pela casa. Bastam 5 centímetros de água para um bebê se afogar'', alerta Irene.
Cuidados constantes
Na casa da atendente de vendas Tatiana Stabile, mãe de Gabriel, de 10 anos, os cuidados com a segurança do menino sempre foram grandes. ''Ele era terrível quando pequeno, queria pegar tudo. Tínhamos que manter as coisas longe do alcance dele e também colocávamos tampas nas tomadas e ficávamos sempre de olho. Se tinha que fazer alguma coisa, ele ficava no cercadinho ao meu lado. Só voltei ao trabalho depois que o Gabriel completou dois anos, porque não confiava deixá-lo com empregada'', conta.
Uma nova lei decretada pelo Congresso Nacional no ano passado pode aumentar a confiança das mães nas profissionais que cuidam das crianças. De acordo com a resolução, as babás, entre outras exigências, precisam comprovar participação em cursos de prevenção de acidentes, primeiros socorros, nutrição e psicologia. ''As mães se preocupam em encontrar alguém de confiança e capacitado para cuidar dos filhos. Essa lei vai ser boa para regulamentar a profissão e dar mais garantia aos pais'', diz a proprietária da agência de babás Angele Dei, Vera Cristina de Moraes.
Irene é professora em dois cursos oferecidos para as babás na agência e diz que as pessoas se surpreendem com os riscos que uma casa oferece. ''Nem só babás nos procuram para os cursos, mas também mães e professores. Todos sempre dizem que aprenderam muito. As crianças não têm muita noção do perigo e às vezes os adultos também não'', comenta.
Para Gabriel, a maioria das preocupações da mãe têm fundamento. ''Eu entendo as broncas dela por causa das coisas que eu faço, principalmente as brincadeiras com bombinhas e na piscina. Mas não acho que ela precise se preocupar quando subo em móveis para pegar coisas na cozinha'', diz.
Serviço: Cursos para babás, professores e pais: Angele Dei Treinamento e Colocação de Babás, de 12 a 23 de janeiro, das 8 horas às 12 horas (cursos individuais de um dia de duração por tema). Telefone (43) 3322-8197


