O perigo das dietas radicais


Susan Cruz Especial para a FOLHA
Susan Cruz Especial para a FOLHA

Com a proximidade do verão muitas pessoas buscam perder peso de maneira rápida e às vezes aderem a dietas radicais que prometem a perda de peso em curto espaço de tempo. O perigo destes programas alimentares é que não levam em conta os riscos que podem trazer à saúde. Por mais difícil que pareça resistir à tentação de um ''regime da moda'' às vésperas da estação mais quente do ano, a recompensa de uma escolha consciente para emagrecer é conseguir dar adeus àqueles quilinhos e aproveitar a temporada na sua melhor forma e saudável.
O ideal, segundo a nutricionista Alexandra Jannani, é que o individuo trace um plano de emagrecimento com antecedência, para que com a chegada do verão algumas metas já tenham sido atingidas. Ela explica que se a pessoa não conseguiu realizar esse projeto em longo prazo, existem algumas orientações importantes a serem consideradas sobre programas para perder peso.
''As dietas da moda são mal elaboradas e restritivas em alguns alimentos, causando deficiências nutricionais'', avisa. Em uma dieta como a da proteína, que restringe carboidratos (uma fonte de energia para o organismo), o corpo ainda precisa dessa energia e busca no músculo o que não encontra na alimentação. ''Além disso, alguns alimentos que fazem parte desse cardápio, como queijo e presunto são mais gordurosos, o que pode aumentar o colesterol'', completa Alexandra.
Na avaliação da nutricionista, o resultado de uma dieta dessas é sempre ruim com efeito ilusório, pois a pessoa perde peso por restrição calórica e não por uma reeducação alimentar. Como consequência a pessoa recupera o peso perdido em pouco tempo e, muitas vezes, ganha quilos a mais. ''É o chamado efeito 'sanfona''', alerta.
Alexandra enfatiza que uma alimentação saudável não tem segredo. ''Trabalhamos com alimentos rotineiros que as pessoas já costumam consumir, mas que muitas vezes o fazem da maneira errada'', alerta.
Outro fator importante que ela ressalta é procurar realizar uma atividade física que ajuda a perder peso. ''Não é preciso ser fã de frequentar a academia, praticar um esporte ou até mesmo uma caminhada já ajuda'', revela a especialista.
A advogada Delaine Hortega viveu a experiência de aderir a programas ''milagrosos'' de emagrecimento por vários anos, como a famosa dieta da sopa, que fez quando tinha apenas 12 anos. ''Na minha cabeça eu sempre estava acima do peso e desde muito cedo procurei regimes para emagrecer rapidamente'', comenta. Quando o período do verão se aproximava sentia-se pressionada a emagrecer. ''Eu tinha vergonha, minha autoestima ficava muito baixa e com isso aumentavam às preocupações para conseguir perder peso'', confessa.
As muitas frustrações, os anos oscilando de peso e mesmo os problemas de saúde que teve decorrentes do uso de medicamentos para emagrecer, a advogada revela que foram motivo de uma reviravolta em sua vida, mas desta vez com o auxílio de especialistas. ''Eu sofri na época dos remédios, porque emagreci, mas parecia que estava sempre elétrica. Quando cortei o remédio para tentar trazer minha vida de volta eu engordei o dobro porque não conseguia manter o peso'', lamenta.
Delaine procurou a ajuda de um psicólogo, um endocrinologista e de uma nutricionista. ''Eu precisava entender a origem da minha ansiedade para que um programa de alimentação surtisse efeito'', desabafa. Hoje comemora os resultados, desde que mudou seus hábitos alimentares emagreceu 30 quilos, mas mais do que isso, aprendeu a alimentar-se de forma correta e a praticar exercícios físicos. ''Eu não comia frutas e verduras e hoje acho falta se não tiver no prato. Não gostava de exercícios e hoje sinto prazer em realizar uma atividade física. Eu continuo uma pessoa ansiosa, mas tenho um controle maior sobre isso'', conclui.


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Gustavo Carneiro

Cansada das dietas milagrosos, a advogada Delaine Hortega tomou a atitude certa, a orientação da nutricionista Alexandra Jannani

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