O perigo da fofura
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quinta-feira, 14 de abril de 2005
Herika Fondazzi<br> Reportagem Local 
Criança que é criança gosta de doce, refrigerante, salgadinho, fritura. Difícil ver um pequeno se deliciar com um prato de salada ou pedir para comer uma fruta. Mais difícil ainda é a situação dos pais, que na correria do dia-a-dia e na insegurança de educar os filhos sem causar traumas e brigas, não conseguem convencer as crianças a se alimentar de forma correta.
E essa atitude está trazendo consequências graves para a saúde dos baixinhos, que não se resumem ao ganho de peso. Segundo a nutricionista Lilian Denise Lourenço, o número de crianças e adolescentes com problemas de colesterol elevado e hipertensão tem aumentado significativamente. ''A Organização Pan-Americana de Saúde (Opas) afirma que o número da obesidade infanto-juvenil subiu 240% nas duas últimas décadas. E com o excesso de peso aparecem todos os problemas que já conhecemos, de coração, diabetes. Além da facilidade que essas crianças terão para se tornarem adultos obesos, devido a dificuldde de perder as células de gordura adquiridas nessa fase'', comenta.
Oferecer aos filhos uma alimentação mais saudável é, de acordo com Lilian, a melhor maneira de evitar a obesidade e as complicações que ela causa. ''O problema é que muitos pais não sabem como fazer isso. Um dos maiores erros é não dar o bom exemplo. Costumo dizer que mais do que a herança genética, que facilita o ganho de peso, recebemos de nossos pais a herança de hábitos. As crianças imitam os adultos, inclusive na alimentação. Se o pai ou a mãe não comem corretamente fica impossível pedir para que o filho o faça.''
O ideal é incentivar os pequenos a comer de tudo, desde cedo, e permitir a ingestão de doces, refrigerantes e outras guloseimas de forma controlada. ''O conselho nutricional é que os doces que contém açúcar e gordura sejam consumidos duas vezes por semana, assim como os refrigerantes. Isso porque o açúcar inibe o crescimento e compromete a saúde no futuro, principalmente diabetes. Já as frituras devem ser limitadas a apenas duas vezes por mês por causa de problemas cardíacos.
Para aqueles que não conseguem controlar tanto o apetite dos filhos, Lilian dá algumas dicas para amenizar os prejuízos da má alimentação. ''Uma boa opção para quando a criança comer doces é associar fibra solúvel, ou seja maçã, goiaba e laranja com bagaço, poisesse nutriente reduz a velocidade de absorção do açúcar. E quando comer alimentos salgados com gordura, os pais devem incentivar os filhos a comer saladas com fibras, que dificultam a absorção da gordura da refeição'', explica.
Ela fala com conhecimento de causa. Lilian é mãe de um menino de 5 anos e garante que ele come de tudo de forma equilibrada. ''Ele aprendeu a comer verduras e legumes porque sempre foi acostumado a isso. Costumo dizer que a gente só gosta daquilo que a gente come. Os pais precisam ter paciência para os filhos se acostumarem com a comida. E sempre que meu filho pede algo não saudável, eu explico o mal que aquilo faz e que, por isso, ele tem que comer pouco. Até agora estou conseguindo educá-lo bem'', conta.


