O novo luxo
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quinta-feira, 31 de março de 2011
Mayhara Nogueira<br> Reportagem Local 
Se há algumas décadas o consumo exagerado e um guarda-roupa lotado era sinônimo de luxo, hoje esse comportamento está completamente fora de moda. Segundo especialistas, o consumidor vem adquirindo um novo comportamento, cuja atitude se resume em "menos quantidade e mais qualidade". Essa iniciativa consciente, que define muito bem o novo conceito de luxo, movimenta cerca US$ 1,5 bilhão ao ano, segundo a Boston Consulting Group (BCG,) que lançou em dezembro de 2010 um estudo chamado "The New World of Luxury".
Mas esse comportamento não surgiu por acaso. O empresário Luis Fernando Campanella Rocha, sócio-diretor e diretor de criação da Ferri, marca brasileira de sapatos, esteve em Londrina, onde falou sobre essa tendência que começou após a crise econômica dos Estados Unidos, em 2009. "Foi uma mudança profunda no comportamento do consumidor", analisa Rocha. "Depois disso, o consumo desenfreado deu lugar a um comportamento mais introvertido, que envolve a família, os amigos e a qualidade de vida. Na nova era do luxo, os consumidores estão olhando mais para o ser do que para o "ter", acrescenta
Na opinião de Rocha, o novo consumidor está mais ponderado e consciente. "Ele compra de forma inteligente, investindo apenas naquilo que vai realmente suprir as suas necessidades, valorizando o produto em diversos aspectos. Não se compra mais por status, e sim pela qualidade, exclusividade, e se o produto proporciona conforto, prazer, personalidade e se agrega valores sustentáveis", explica
Essa tendência não se resume apenas ao consumidor de alto padrão, mas também a uma boa parcela da classe média; reflexo disso são as parcerias de grandes designers com lojas de fast fashion. "O mercado está se adaptando, buscando formas de oferecer produtos diferenciados para quem exige qualidade", diz. Só este ano, a estilista inglesa Stella Mcartney e os brasileiros Oscar Metsavaht (Osklen) e Cris Barros assinaram contrato com lojas brasileiras de departamentos.
Guarda-roupa lotado sim, mas com peças de 20, 30, 40 e até 50 anos atrás. A designer de interiores e artista plástica Roni Nichele Brunetto sempre seguiu essa filosofia de consumo, prática que herdou da sua mãe e também de sua avó. "Elas nunca dispensaram qualidade na hora de se vestir, do tecido ao acabamento", afirma Roni, que perpetuou a prática, repassando os ensinamentos para as filhas. "As minhas meninas já se conscientizaram que as boas peças são eternas, e apesar de gostarem de moda e naturalmente de consumir, valorizam e vestem o que já foi meu e de suas avós", conta.
Porém, quem acha que consumo consciente é hábito de pessoas mais velhas, se engana. O jovem editor de vídeo, Peterson Dias, é adepto à filosofia do "menos é mais" há algum tempo. Para ele, o novo luxo está atrelado ao poder de escolha de tudo o que se consome. "Acho que não é só moda, é mais abrangente, como escolher um bom livro, frequentar um teatro ou ir assistir a um bom filme. O luxo é vivência agregada ao valor da experiência do que realmente gostamos", afirma.





