Se há algumas décadas o consumo exagerado e um guarda-roupa lotado era sinô­nimo de luxo, hoje esse comportamento está completamente fora de moda. Segundo especialistas, o consumidor vem adquirindo um novo comportamento, cuja atitude se resume em "menos quantidade e mais qualidade". Essa iniciativa consciente, que define muito bem o novo conceito de luxo, movimenta cerca US$ 1,5 bilhão ao ano, segundo a Boston Consulting Group (BCG,) que lançou em dezembro de 2010 um estudo chamado "The New World of Luxury".
Mas esse comportamento não surgiu por acaso. O empresário Luis Fernando Campanella Rocha, sócio-diretor e diretor de criação da Ferri, marca brasileira de sapatos, esteve em Londrina, onde falou sobre essa tendência que começou após a crise econômica dos Estados Unidos, em 2009. "Foi uma mudança profunda no comportamento do consumidor", analisa Rocha. "Depois disso, o consumo desenfreado deu lugar a um comportamento mais introvertido, que envolve a família, os amigos e a qualidade de vida. Na nova era do luxo, os consumidores estão olhando mais para o ‘ser’ do que para o "ter"’, acrescenta
Na opinião de Rocha, o novo consumidor está mais ponderado e consciente. "Ele compra de forma inteligente, investindo ape­nas naquilo que vai realmente suprir as suas necessidades, valorizando o produto em diversos aspectos. Não se compra mais por status, e sim pela qualidade, exclusividade, e se o produto proporciona conforto, prazer, personalidade e se agrega valores sustentáveis", explica
Essa tendência não se resume apenas ao consumidor de alto padrão, mas também a uma boa parcela da classe média; reflexo disso são as parce­rias de grandes designers com lojas de fast fashion. "O mercado está se adaptando, buscando formas de oferecer produtos diferenciados para quem exige qualidade", diz. Só este ano, a estilista inglesa Stella Mcartney e os brasileiros Oscar Metsavaht (Osklen) e Cris Barros assina­ram contrato com lojas brasileiras de departamentos.



Guarda-roupa vintage


Guarda-roupa lotado sim, mas com peças de 20, 30, 40 e até 50 anos atrás. A designer de interiores e artista plástica Roni Nichele Brunetto sempre seguiu essa filosofia de consumo, prática que herdou da sua mãe e também de sua avó. "Elas nunca dispensaram qualidade na hora de se vestir, do tecido ao acabamento", afirma Roni, que perpetuou a prática, repassando os ensinamentos para as filhas. "As minhas meninas já se conscientizaram que as boas peças são eternas, e apesar de gostarem de moda e naturalmente de consumir, valorizam e vestem o que já foi meu e de suas avós", conta.


Poder de escolha


Porém, quem acha que consumo consciente é hábito de pessoas mais velhas, se engana. O jovem editor de vídeo, Peterson Dias, é adepto à filosofia do "menos é mais" há algum tempo. Para ele, o novo luxo está atrelado ao poder de escolha de tudo o que se consome. "Acho que não é só moda, é mais abrangente, como esco­lher um bom livro, frequentar um teatro ou ir assistir a um bom filme. O luxo é vivência agregada ao valor da experiência do que realmente gostamos", afirma.

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| Foto: Fotos: Fernando Cremonez
Roni Nichele Brunetto e seu vestido de mais de 50 anos, herdado de sua mãe
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| Foto: Fotos: divulgação
Para o editor de texto Peterson Dias, "o novo luxo está atrelado ao poder de escolha de tudo o que se consome"
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"Os consumidores estão olhando mais para o ‘ser’ do que para o ‘ter"’, afirma o empresário Luis Fernando Campanella Rocha