O namoro em dois tempos
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quinta-feira, 07 de junho de 2012
Paula Costa Bonini <br> Reportagem Local <br> 
Sentados na varanda e rodeados por fotos antigas, o casal Artur Boligian, 82 anos, e Floripes Lopes Boligian, 75, se emociona e se diverte ao reviver momentos especiais da vida em comum. São 58 anos de história. ''Aqui estamos na nossa festa de noivado, em 1954. Esta foto seria enviada aos nossos familiares, mas o meu sogro ficou 'doido' quando viu o meu braço no ombro dela e não deixou a gente mandar de lembrança para ninguém. Ele tinha receio do que as pessoas iam dizer'', recorda Artur, enquanto observa a foto em que tinha 24 anos e Floripes apenas 17.
Ele lembra que meses depois, mais uma vez, a sua demonstração de carinho foi mal interpretada pela família dela. ''Tínhamos acabado de nos casar no civil. Ao sair do cartório, coloquei o braço no ombro dela, que já era minha esposa, e o meu sogro não gostou'', conta Artur, destacando que sempre respeitou os limites impostos.
Durante a época do namoro, para se ter uma ideia, Artur e Floripes só saiam acompanhados pelos irmãos mais velhos. E, ainda assim, não pegavam nem nas mãos. ''Passeávamos na praça, íamos ao cinema e assistíamos jogo de futebol no campo'', lembra o casal, que saiu sozinho somente quatro dias antes do casamento. ''Foi um passeio rápido. Olhamos as vitrines das lojas e sentamos um pouco na praça'', revelam, admitindo que de vez em quando davam uns beijinhos às escondidas.
O casal namorava somente aos finais de semana. E, para dificultar a situação, ele morava com a família em Apucarana e ela em Londrina. ''Durante a semana, normalmente não tínhamos notícias um do outro. Para conversar a distância tinha que ir na central de telefonia'', conta ela, ressaltando que aos domingos ficava ansiosa esperando Artur na varanda.
A realidade dos namoros nos dias de hoje é bem diferente. Namorando há menos de um ano, o engenheiro eletricista João Bento Neto, 23, e a estudante Thaís Helena Volpato Weigert, 22, já têm o hábito de dormir juntos, seja na república onde ele mora ou na casa dos pais dele em Alvorada do Sul, onde passam alguns finais de semana.
Eles se veem em média quatro vezes por semana. E, durante o dia, se comunicam por celular ou internet. ''Mantemos sempre o respeito e a responsabilidade. Talvez por isso temos a confiança dos nossos pais, que encaram a nossa relação numa boa'', afirma João Bento.
O jovem casal se conheceu na balada e demorou cerca de dois meses para oficializar o namoro. ''Durante esse tempo a gente se falava todos os dias e saíamos juntos com frequência'', salienta ele.
A história de Artur e Floripes, na década de 1950, foi totalmente diferente. As famílias que ''arrumaram'' o namoro dos filhos. ''Nossas famílias eram amigas. Quando meu pai falou sobre a possibilidade do namoro chorei bastante e disse que não queria. Mas meu pai me deixou muito à vontade e não me obrigou a nada'', recorda Floripes, que com o tempo se rendeu aos encantos de Artur. ''Ele começou a fazer visitas, aparecendo em casa como quem não queria nada. Quando percebi já estava interessada e começamos a namorar'', diz.
O casamento não demorou muito para acontecer. Cerca de um ano após o início do namoro, oficializaram a união no civil e no religioso. ''Um mês depois já estava grávida. Fui descobrindo tudo sozinha, pois não tinha informações sobre sexo e gravidez'', afirma Floripes.
Alguns tabus que envolvem os relacionamentos, no entanto, ficaram para trás com o passar dos anos. Thaís, por exemplo, recebe orientações dos pais sobre sexo e métodos contraceptivos. Para o jovem casal, a liberdade das relações atuais permite que os dois se conheçam melhor. ''Com isso, surpresas desagradáveis e decepções podem ser evitadas antes do casamento'', defendem.
Artur e Floripes alertam, porém, que é preciso tomar cuidado para não deixar para trás o encanto e o romantismo. ''As coisas não podem ficar tão liberais para não perder a graça'', aconselham.
Com cinco filhos e treze netos, o casal faz questão de manter acesa a chama do amor que os uniu há quase seis décadas. ''Nas festas de família nossos netos sempre pedem para a gente tirar foto dando beijinho'', divertem-se.


