No meio da madrugada, ela chega, estaciona o carro e, antes de descer, procura se certificar de que está recomposta. Ao abrir a porta, ele está lhe esperando e, aos berros, exige satisfações. Uma cena que envolve pai e filha adolescente? Nada disso. Às portas do ano 2000, o namoro dos pais divorciados, viúvos e até solteiros ainda é motivo de muitos tapas e beijos, independentemente de classe social ou etnia. Mas como estabelecer os limites e as regras da boa convivência nessa disputa de poder?
A viúva Helena, personagem de Natália do Valle na novela ‘‘A Próxima Vítima’’, exibida há algum tempo pela TV Globo, viveu esse drama. O filho, Lucas, interpretado por Pedro Vasconcellos, não suportava a idéia de ver a mãe namorando o feirante Juca (Tony Ramos), colocando inúmeros defeitos na relação. Para chantageá-la, Lucas ameaçava até voltar às drogas caso a mãe não rompesse o namoro. A atitude de Lucas não foi, necessariamente, a de quem quer preservar a imagem do pai morto mas, sim, substituí-lo no amor e dedicação da mãe. Um caso clássico da síndrome de Édipo, o personagem da mitologia grega que, apaixonado pela mãe, assassina o pai.ReproduçãoÀs portas do ano 2000, o namoro de pais divorciados, viúvos e até solteiros ainda é motivo de muitos tapas e beijos

Cristina Gumiero
Agência Estado

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