Viajar é um dos grandes prazeres de boa parte das pessoas. Conhecer outros estados e países, visitar lugares famosos e passar por paisagens paradisíacas são desejos de jovens e adultos. Alguns adolescentes, no entanto, vão além disso e apostam em alternativas que aliam o prazer de viajar à experiência de viver o cotidiano de outros povos através de programas de intercâmbio. Ao invés de passar algumas semanas em hotéis, fazendo aquilo que é comum a todo turista, eles decidem se instalar por um ano ou seis meses na casa de alguma família, para experimentar os costumes e tradições de um povo diferente, que mora em algum lugar distante. Uma decisão difícil e de coragem para quem está com menos de 18 anos e ainda é bastante dependente dos pais e do convívio de amigos.
É o que garante a estudante londrinense Camila Germano Canavese, 18 anos, que acabou de chegar da Suíça e diz que a falta dos familiares no começo é um dos desafios do intercâmbio. ''Deixei muitos amigos aqui e senti falta deles e da minha família, principalmente nas datas especiais, como Natal e aniversários. Ficava imaginando o que eles estariam fazendo aqui enquanto eu estava lá'', conta.
A independência adquirida no exterior e o conhecimento pessoal são os maiores ganhos citados por todos os que passaram pela experiência. ''Hoje sou mais independente. Também aprendi a conversar mais. Aqui, as pessoas, quando alguma coisa está errada, conversam e discutem a situação e agora também faço isso'', diz o belga Jonas Vets, 19 anos. ''Aprendi a me conhecer melhor. Não sabia que era tão comunicativa'', completa Camila.
Mas você deve estar se perguntando o que leva um jovem a sair de sua casa em um país rico para passar meses em um país com a pobreza e violência existentes no Brasil. A finlandesa Saara Vierkki, 18 anos, explica: ''Estive aqui antes, em férias, e resolvi voltar para fazer intercâmbio porque as pessoas são muito amáveis. Também achei a língua de vocês bonita e tive vontade de aprender a falar o português''.
''Eu queria conhecer um país com costumes diferentes dos meus. Já tinha ido para a França e para Taiwan e quando disse que queria vir para cá, minha mãe adorou a idéia, apesar da violência e da pobreza que a gente já conhecia'', diz a alemã Clara Mariane Saskia Jongen, 17 anos.
Outra boa experiência adquirida com os intercâmbios é conhecer muito mais do que aquilo que se vê nos jornais e que foge do senso comum. Jonas diz que conhecia apenas a cidade do Rio de Janeiro e o nosso futebol antes de vir para o Brasil, mas com a temporada por aqui aprendeu muito mais. ''Adorei a música brasileira. Comprei 51 CDs que vou levar e mostrar para os meus amigos finlandeses. Também gostei das roupas de vocês, que são mais leves e alegres'', afirma. Já Clara leva na bagagem uma descoberta ainda mais importante. ''Vocês têm um patriotismo muito bonito. Na Alemanha, demonstrar o amor à pátria passa a impressão de ser ditador. Aprendi que posso gostar do meus país, ter orgulho da minha origem e dizer isso sem medo das pessoas acharem que sou nazista'', garante.
Os brasileiros que vão para o exterior também trazem grandes lições dos países de primeiro mundo. A dentista Flávia Rodrigues Martelite, 28 anos, esteve nos Estados Unidos há 10 anos e conta que a verdade sobre o país é diferente daquela que imaginamos. ''Antes de eu ir para lá, me diziam que americano era um povo frio. Mas conheci pessoas maravilhosas e minha família tem contato comigo até hoje. Até fiz um tratamento dentário na minha mãe americana quando eles vieram para cá me visitar no ano passado'', conta. ''Vi a maneira como os suíços são civilizados. A política deles também me impressionou, porque tudo funciona'', relata Camila.
E se juntarmos tudo, os pontos negativos e positivos de cada país, a opinião de todos os intercambistas é uma só: morar fora com uma família estranha é uma experiência que muda muita coisa e é levada para a vida toda. ''Antes ficava imaginando como vocês podiam viver com tanta violência, agora queria ficar um pouco mais. Recomendo a todo mundo uma viagem ao Brasil. Vou sentir muita falta das frutas daqui, são muito mais gostosas'', diz a finlandesa Saara. ''Algumas pessoas pensam que passar um ano fora é perder um ano de escola, mas no intercâmbio não se perde nada. A gente aprende muito. Aprende outra língua, outra cultura. Vale muito a pena, em todos os aspectos'', acrescenta Flávia.

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