O @mor está na rede
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 18 de fevereiro de 1999
Celso Mattos 
Os encontros virtuais estão se tornando cada vez mais comuns e os cupidos cibernéticos não param de flechar novos corações solitários. É a tecnologia a serviço do amor. Através dos vários chatters disponíveis na Internet, pessoas do mundo inteiro estão fazendo amizades, namorando e até se casando. Só no Brasil, existem cerca de três milhões de usuários de Internet e, aproximadamente, 280 mil usam os chatters para bate-papo. De acordo com dados do Ibope, a maioria é composta de pessoas solteiras, separadas e viúvas.
O assunto já virou tese de doutorado, novela e, agora, está chegando à telona em dois filmes. Hoje, está estreiando no Brasil Mens@gem para Você, com Tom Hanks e Meg Ryan. O filme resgata a velha fórmula do romance água-com-açúcar, mas acrescenta um ingrediente novo e poderoso: o amor virtual. O tema também está presente em Bossa Nova, novo filme de Bruno Barreto, no qual a personagem de Fernanda Torres apaixona-se, via e-mail, por um engenheiro americano.
Da ficção para a realidade, as coisas não mudam muito. A secretária executiva Márcia Bastos de Almeida, 41 anos e o programador Wilmer Wallace Muller, 37 anos, ficaram noivos depois de se conhecerem via Internet. Nós nos correspondemos através de e-mail por dois meses. Aí, eu a convidei para ir ao cinema. Primeiro, ficamos amigos e depois namorados, conta Wilmer Wallace. Estamos pretendendo nos casar até o final deste ano, acrescenta Márcia Bastos. Ela revela que colocou seu perfil no uol e no zaz, destacando que estava à procura de alguém alegre e de bem com a vida. E, o Wilmer é justamente o homem que eu estava procurando, afirma.
Ela confessa que colocou seu perfil na Rede porque estava carente. É uma forma de você procurar alguém sem se expor muito. Várias pessoas leram meu perfil e entraram em contato comigo, mas foram os e-mails divertidos do Wilmer que me conquistou, garante Márcia Bastos. Para Wilmer Wallace, a Internet é uma ótima forma para conhecer novas pessoas, mas precisa ser bem utilizada. O problema é que devido ao anonimato, muita gente faz da Rede um mecanismo de realizações de fantasias. Por isso, existem muitos casos em que as pessoas entram numa fria e acabam vivendo uma grande decepção, observa Wilmer.


