''O médico não aceitou o resultado''
''O primeiro sintoma foi em novembro do ano passado. Tive febre e suores noturnos. Achei que fosse uma gripe e o médico me disse que era uma virose e me receitou um remédio. Cinco dias depois, eu continuava com febre três ou quatro vezes por dia e suava muito à noite. Fiz exames de Aids e sífilis, que deram negativos. Depois de um tempo, eu não conseguia comer nem dormir porque sentia muita dor no peito, mas o médico nunca pediu um raio-X de pulmão. Fiquei assim um mês e ninguém conseguia descobrir o que eu tinha. Fui então passar o Natal na casa da minha mãe e um cunhado que trabalha em uma penitenciária me viu tossindo e me disse que eu estava com tuberculose.
Procurei um pneumologista, fui internada e fiz vários exames. Um deles resultou positivo para tuberculose ganglionária, mas o médico não aceitou o resultado e começou a me tratar de sarcoidose, que é uma doença com os mesmos sintomas da tuberculose. Fiquei um mês internada e fui piorando. Meu índice de plaquetas caiu demais e eu já não conseguia ficar em pé sozinha e emagreci 12 quilos. Então pedi para o médico me liberar que eu iria para São Paulo procurar tratamento.
Fui a um infectologista e ele reconheceu que eu realmente estava com tuberculose e me receitou o remédio correto. Cerca de 15 dias depois de começar o tratamento, eu já estava muito melhor e, hoje, quatro meses depois, não sinto mais nada. Mas preciso tomar a medicação até o mês que vem e fazer exames de controle a cada seis meses. Para mim a tuberculose era uma doença que matava e nem existia mais, mas ela tem cura e é fácil de ser tratada. Meu cabelo caiu bastante e minha pele ainda está bem grossa, mas isso vai passar. Agradeço por ter tido tempo de descobrir e tratar a doença. O médico que me curou disse que eu ficasse sem o medicamento mais 15 dias, eu iria morrer de tuberculose sem nem saber.''
Sílvia Regina Marion de Carvalho, 37 anos, protética





