O mal que vem da boca
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 26 de abril de 2001
Celso Mattos 
É bem provável que pouquíssimas pessoas já tenham ouvido falar em DTM Disfunção Temporo Mandibular, um mal que atinge a Articulação Temporo Mandibular (ATM), região onde se localiza o ossinho que aparece próximo ao ouvido quando abrimos bem a boca e que liga a mandíbula à base do crânio. A ATM é formada por ossos, ligamentos, vasos sanguíneos, músculos e enervações. As disfunções provocam dores na região afetada pela doença.
O ortodontista Manoel Zanata Júnior explica que a DTM é uma doença multifatorial, podendo ser causada por má oclusão, falta de dentes, bruxismo e devido a hábitos deletérios, como roer unhas ou morder objetos. Entretanto, segundo Manoel Zanata, existem outras causas não relacionadas diretamente com a odontologia que também podem levar à DTM, como a artrite reumatóide. Essa doença provoca uma inflamação na articulação da mandíbula, explica o dentista.
Ele salienta que outro grande desencadeador da DTM é o estresse, que faz com que a pessoa fique tensa, contraindo toda a musculatura envolvida na mastigação. Os principais sintomas da doença são: ruído na região da articulação, estalos, zumbido no ouvido, limitação na abertura da boca, dificuldades para mastigar, bocejar e até falar. Além disso, a pessoa pode apresentar dores de ouvido e de cabeça, podendo se expandir para a nuca, pescoço e ombros, observa.
Diagnóstico Manoel Zanata diz que devido ao fato das dores não serem nos dentes, a pessoa acaba procurando outros profissionais como, por exemplo, o otorrino. Dificilmente, ela associa esses sintomas a um problema odontológico. Porém, quando o otorrino percebe esse equívoco, acaba orientando o paciente a procurar o dentista.
O diagnóstico da DTM é feito através de exame físico, que inclui apalpação na articulação e nos ossos e exame intra-bucal para verificar a existência de má oclusão e perda de dentes. Para fechar o diagnóstico, é preciso fazer radiografia da ATM, tomografia computadorizada e ressonância magnética, avisa Zanata.
A doença atinge crianças e adultos, entretanto, na infância o problema é mais raro, pois a criança possui um nível de tolerância a problemas oclusais extremamente alto. Pesquisas realizadas na Universidade de Seattle, nos Estados Unidos, mostraram que a mulher na idade de 32 para 33 anos fica mais suscetível a DTM devido às alterações hormonais e a maior fragilidade da musculatura feminina, informa o ortodontista.
Tratamento Como se trata de uma patologia multifatorial, o tratamento envolve, além do dentista, o fisioterapeuta, o fonoaudiólogo e o psicoterapeuta. Como tratamento inicial pode-se colocar uma placa de acrílico na boca que auxiliará no alívio da dor, no relaxamento muscular e no reposicionamento da mandíbula. Ela deve ser usada 24 horas por dia, porém, não resolve o problema, avisa.
Para corrigir a DTM é preciso atacar sua origem. Se for má oclusão, deve-se fazer um tratamento ortodôntico, se for perda de dentes, uma reabilitação bucal com colocação de prótese ou implantes. Mas o paciente também deve procurar um fisioterapeuta para fazer massagem na região, correção postural e tratamento com calor úmido. O fonoaudiólogo vai orientar a pessoa para uma mastigação adequada e corrigir hábitos de deglutição. Já o psicoterapeuta vai atuar no combate ao estresse. O que o paciente deve evitar é a auto-medicação porque isso apenas mascara os sintomas, alerta.
No período de 4 a 8 de maio, Manoel Zanata estará participando do Congresso da American Association of Orthodontists, em Toronto, no Canadá, onde serão discutidas novidades no diagnóstico e tratamento da DTM.


