O cabelo é um dos mais importantes elementos de estilo e beleza de uma mulher. Uma pesquisa feita pela marca Seda, no início deste ano em vários países, mostrou que 90% das entrevistadas acreditam que os cabelos desempenham um papel fundamental em sua aparência e 87% delas se sentem mais confiantes e abertas a oportunidades quando seus cabelos estão bonitos.
  Se para algumas mulheres os cabelos são armas para encarar o mundo e se sentir poderosas, para outras ele é fonte de angústia e frustração. E não estamos falando daquelas que estão insatisfeitas com o aspecto de suas madeixas mas, sim, das que sofrem com um distúrbio psicológico chamado de tricotilomania, que faz com que a pessoa desenvolva uma compulsão por arrancar os fios de cabelo. De acordo com a psicóloga Bruna Alvares Lunardelli, a tricotilomania é considerada um transtorno dos impulsos, assim como roer unhas ou comer em excesso. ‘‘O problema surge freqüentemente na infância ou adolescência em ambos os sexos. Acredita-se que exista uma predisposição para o distúrbio, que ataca geralmente pessoas mais ansiosas. Jovens em fase de vestibular e faculdade também costumam sofrer com o transtorno. Cerca de 2% dos universitários apresentam o problema’’, afirma.
  A psicóloga explica que em momentos de tensão e estresse, as pessoas costumam arrancar vários fios de cabelo, ato que causa prazer imediato e alívio. ‘‘Mas em seguida vem a culpa por ter arrancado os fios e o estresse aumenta, o que cria um círculo vicioso. Algumas pessoas arrancam os fios até quando estão relaxadas, assistindo à TV. Como as falhas no cabelo incomodam, a tendência é esconder o problema dos outros, se isolar, deixar de sair de casa. A tricotilomania é bastante prejudicial para a qualidade de vida’’, afirma.
  A rotina de Bruna(*), 28 anos, sempre foi bastante limitada por causa da tricotilomania. O problema surgiu quando ela tinha 12 e por anos limitou sua vida. ‘‘Sempre usei cabelo preso e nunca ia à piscina ou praia. Apenas minha mãe e minha irmã sabiam do problema e para esconder das outras pessoas eu não saía muito, não namorava, não ia a salão de beleza’’, conta.
  A auto-estima também era prejudicada. ‘‘É algo incontrolável e dá muito prazer. Mas depois eu me sentia desequilibrada, fraca, por não conseguir me controlar. É muito dolorido viver com isso. Tenho muita pena de quem também tem o problema’’, diz.
  Depois do tratamento com uma terapeuta há três anos, ela hoje controla a vontade de arrancar os fios e já sonha com os cabelos novos que virão. ‘‘Eu tive uma última crise antes de me casar, acho que por causa do nervosismo da data. Mas agora consigo me controlar, embora tenha muita vontade de puxar o cabelo. Uso próteses capilares para esconder as falhas e pratico atividade física para aliviar a tensão. Aceitar o problema e procurar ajuda é fundamental. Agora quero que meu cabelo cresça de novo’’, sonha.
  A psicóloga afirma que a tricotilomania pode ser controlada com ajuda profissional. ‘‘É importante procurar ajuda logo que o problema surge. O tratamento é feito com terapia e, em alguns casos, medicamentos para estresse e ansiedade.’’

(*) O nome das entrevistadas é fíctício#

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