O mal do olho preguiçoso
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quinta-feira, 05 de março de 1998
Jackeline Seglin 
Arquivo FolhaA ambliopia é causada por condições que afetam o uso normal dos olhosProblemas de saúde que só podem ser corrigidos nos primeiros anos de vida têm levado os pais a procurar mais cedo consultórios especializados. É o caso da ambliopia, também conhecida como olho preguiçoso. Ocorre, geralmente, em um olho enquanto o outro se desenvolve normalmente. Se não for diagnosticada a tempo, não pode ser tratada. Como a criança ainda não tem como explicar o que está acontecendo, só mesmo o médico responsável para avaliar e identificar a causa da ambliopia.
Segundo o médico oftalmologista Leonardo Thomaz de Aquino Filho, a ambliopia é um caso particular de cegueira parcial que significa visão fraca em um olho organicamente normal. É quando a criança tem um olho normal e outro com algum problema, como hipermetropia. Neste caso, só um olho funciona, o outro fica preguiçoso.
Leonardo Filho afirma que a ambliopia é uma doença antiga, mas que durante muito tempo foi pouco valorizada. Hoje é uma condição frequente, atingindo 3% da população do País, explica. O oftalmologista diz que agora as pessoas estão dando mais importância a casos como este. O número de pacientes que procura médicos para se prevenir aumentou, registra.
Milton DóriaA doença atinge hoje 3% da população brasileira, afirma o oftalmologista Leonardo de Aquino Filho
Estrabismo A ambliopia é causada por condições que afetam o uso normal dos olhos e o desenvolvimento da visão. As causas mais frequentes são estrabismo, foco desigual (erro refrativo diferente) entre os dois olhos e opacidade dos tecidos transparentes (córnea, cristalino, humor vítreo). A ocorrência de ambliopia no estrabismo é um exemplo muito comum. O médico diz que nos casos de crianças que torcem sempre o mesmo olho, o órgão passa a pficar apagado para evitar a visão dupla e se torna preguiçoso. O outro olho, que fixa o tempo todo, se desenvolve normalmente.
A prevenção tem sido a melhor arma para a correção do problema. O médico explica que embora o recém-nascido já possa enxergar, sua capacidade visual é muito baixa. Os olhos só atingem a visão normal por volta dos sete anos. A visão de um recém-nascido é 0,5% do normal; aos seis meses sobe para 10%; com um ano, 20% e, aos dois anos, 33%. Quando a visão de um olho não se desenvolve e a ambliopia aparece, ela deve ser tratada o mais cedo possível. Após os seis anos, a possibilidade de recuperação já diminui. Nesses casos, a melhor forma de prevenir é fazer o exame de vista na escola.
O alerta aos pais é importante para o tratamento ser viabilizado. A criança que apresenta ambliopia deve ser tratada com oclusão do olho normal para estimular o desenvolvimento do olho preguiçoso, além de fazer uso do óculos, quando necessário, e submeter-se ao tratamento das afecções que provocam a ambliopia (cirurgia da catarata, da ptose palperal, do estrabismo e remoção da opacidade da córnea). O médico explica que quanto mais tarde for feito o tratamento, mais complicada fica a recuperação porque, com a idade avançada, o olho fraco não vai desenvolver mais a visão.
Leonardo Thomaz de Aquino Filho alerta que para curar a ambliopia não basta corrigir a causa. Além de remover a catarata ou corrigir o erro refrativo, por exemplo, é necessário reeducar o olho preguiçoso e ensiná-lo a funcionar.


