Angela Raizer Barbosa
Os oftalmologistas costumam dizer que catarata é como cabelo branco – um dia todo mundo vai ter, basta fica velho. É inevitável que com o passar dos anos o ser humano venha a ter uma falência progressiva de seu vigor físico e, geralmente, são os olhos os primeiros a apresentar problemas. Assim como a presbiopia (vista cansada), a catarata é outra praga da qual dificilmente alguém escapa. Ela se instala no cristalino, uma espécie de lente natural dentro do olho, que perde a transparência com o envelhecimento das células, a causa mais comum da catarata, embora existam outras origens da doença como hereditariedade, traumatismo, medicamentos, infecções oculares, doenças sistêmicas e congênitas (ver box).
Como não há nenhum método capaz de evitar ou prevenir a catarata, o único tratamento eficaz é a intervenção cirúrgica para remoção do cristalino opacificado e introdução de um cristalino artificial (lente intra-ocular). De olho nessa legião de pessoas com a visão embaçada, a medicina investe pesado em novas tecnologias, tornando essa cirurgia cada vez mais rápida e segura. Desde a chegada das primeiras máquinas para correção dos problemas de visão, na década de 80, até o lançamento, no ano passado, do facoemulsificador Sovereing de última geração, o bisturi é coisa do passado, sendo substituído por equipamentos cada vez mais sofisticados.
‘‘Antigamente havia a necessidade de esperar a catarata ‘‘amadurecer’’ para indicar a cirurgia, em função da técnica utilizada. Hoje, com a evolução dos equipamentos, o indivíduo pode se submeter à cirurgia com menos riscos de complicação, quando a catarata começa a atrapalhar a função visual e a limitar suas atividades’’, diz o médico oftalmologista Rui Schimiti, do corpo clínico do Hospital de Olhos de Londrina – Hoftalon. ‘‘A idade avançada ou as condições física precárias não constituem obstáculo ao procedimento cirúrgico, até porque a reabilitação da visão proporciona uma qualidade de vida melhor’’, acrescenta o médico.
Fragmentação Movido a ultrassom, o facoemulsificador é monitorado por um computador central, com um dispositivo que controla o fluxo interno do olho, evitando problemas durante a cirurgia. ‘‘A técnica consiste na fragmentação e aspiração do núcleo do cristalino, onde se forma a catarata, para a colocação do cristalino artificial’’ explica o oftalmologista Noboru Yagui, que também opera no Hoftalon com o equipamento adquirido recentemente pelo hospital e utilizado por 62 médicos de Londrina e região.
Noboru lembra que antigamente era feita uma incisão de 8 a 10 mm; agora, essa abertura varia de 2,8 mm a 3,2 mm, dispensando a necessidade de pontos e agredindo menos o olho. ‘‘Mas não é tão simples assim. Apesar de toda a evolução tecnológica, o sucesso da operação ainda depende do cirurgião, que deve conduzir a caneta de ultrassom com técnica e precisão’’, reconhece Noboru.
A habilidade do médico, somada à tecnologia, faz com que essa cirurgia seja considerada como uma das mais eficientes da medicina atual, com mais de 90% de sucesso funcional em hospitais especializados. A operação é realizada em centro cirúrgico com anestesia local e assistência do anestesista. O seu tempo de duração, em média, é de 15 a 20 minutos, e o paciente permanece na clínica em torno de 3 a 4 horas. O período de convalescença é de uma semana, tempo suficiente para ele voltar a enxergar bem e realizar a cirurgia no outro olho, caso haja indicação.Novo equipamento retira catarata com mais eficiência e segurança
Fotos: Paulo WolfgangO único tratamento eficaz é a intervenção cirúrgica para remoção do cristalino opacificado e introdução de um cristalino artificial: duração de 15 a 20 minutos e alta 3 a 4 horas depois‘‘Hoje o indivíduo pode se submeter à cirurgia com menos riscos, quando a catarata começa a atrapalhar a função visual e a limitar suas atividades’’, diz o oftalmologista Rui Schimiti‘‘Apesar de toda a evolução tecnológica, o sucesso da operação ainda depende da precisão técnica do cirurgião’’, afirma o oftalmologista Noboru Yagui

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