O mal da época
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 13 de dezembro de 1996
Celso Mattos 
São praticamente 11 meses de trabalho e preocupações, tempo suficiente para provocar um previsível stress na maioria das pessoas nesta época do ano.. Para complicar ainda mais a situação, acumula-se o corre-corre que inclui compra de presentes, preparação da decoração e festas de final de ano. Além disso, a cidade se transforma e fica mais agitada, dobrando o número de carros e de pessoas nas ruas. Existem filas para comprar, pagar e até para ver o Papai Noel. Haja paciência!
Essa maratona diária provoca um desgaste físico e mental. Por isso, é comum encontrar pessoas reclamando de stress neste período do ano. Lídia Baer Barbosa, diretora de uma escola de inglês, diz que todos os finais de ano são estressantes para ela. É um período no qual se acumula muita coisa. Além de ter que cumprir com a função de mãe, levando os filhos para ver a decoração de Natal e comprar presentes, preciso me preocupar com a avaliação pedagógica e financeira da escola.
Lídia Baer acredita que o motivo de estar tão cansada deve-se ao fato de ainda não ter aprendido a delegar tarefas. Centralizo muito os serviços e as decisões, o que se torna muito desgastante. Esse é um desafio que pretendo vencer no próximo, afirma. A meta de Lídia é chegar ao final de 97 menos estressada. Quero diminuir a quantidade de horas de trabalho e cuidar mais de mim e da minha família.
Preocupação O empresário José Roberto de Mattos conta que o stress está mais relacionado à preocupação do que ao excesso de trabalho. Atualmente, está muito difícil ser microempresário no Brasil, principalmente no ramo de locadora de vídeos, que é o meu caso. As perspectivas futuras não são animadoras. Dezembro, geralmente, é um mês complicado porque é preciso pagar 13º e férias dos funcionários. Tudo isso esquenta a cabeça e tira o sono da gente, explica José Roberto.
Para a pianista e professora de música da UEL, Magali Kleber, o acúmulo de atividades que assumiu este ano foi muito estressante. Além de dar aulas e fazer mestrado em São Paulo, fui coordenadora pedagógica do Festival de Música de Londrina. Sou uma pessoa que prefere pecar pela ação do que pela omissão. A partir de outubro comecei a ter insônia e a esquecer das coisas. Ainda bem que minhas filhas não dão muita importância a presentes, não tenho nem tempo de ir em shopping fazer compras, diz Magali, que confessa estar pensando seriamente em redimensionar os compromissos para o próximo ano.
Doenças Segundo o médico clínico geral Aparecido Pavan, o stress, além de problemas cardíacos, pode provocar gastrite, úlcera, dor de cabeça, diarréia, insônia, formigamento no corpo, hipertensão e até depressão. As pessoas precisam diminuir a quantidade de compromissos, deixar de ficar levando trabalho para casa e valorizar mais o lazer. Desta forma, elas não chegarão ao final do ano tão cansadas.
De acordo com o médico, as pessoas mais estressadas são aquelas que fazem aquilo que não gostam. Nesse caso, o trabalho se torna uma carga muito pesada. Ele recomenda, além de uma alimentação balanceada, muito exercício físico em contato com a natureza. Caminhar, andar de bicleta e nadar são ótimos para descarregar as tensões. Viajar, assistir a bons filmes e ir a festas também ajudam a diminuir a carga de stress, diz Pavan.
Para o médico, o stress está muito relacionado à ansiedade. Chega o final do ano, as pessoas ficam enlouquecidas para comprar, fazem dívidas e querem participar de todas os eventos para os quais são convidadas. Como não conseguem cumprir tantos compromissos, ficam angustiadas e deprimidas. Meu conselho é que as pessoas tirem o pé do acelerador e levem a vida em uma marcha mais lenta, orienta o clínico geral.


