São praticamente 11 meses de trabalho e preocupações, tempo suficiente para provocar um previsível stress na maioria das pessoas nesta época do ano.. Para complicar ainda mais a situação, acumula-se o corre-corre que inclui compra de presentes, preparação da decoração e festas de final de ano. Além disso, a cidade se transforma e fica mais agitada, dobrando o número de carros e de pessoas nas ruas. Existem filas para comprar, pagar e até para ver o Papai Noel. Haja paciência!
Essa maratona diária provoca um desgaste físico e mental. Por isso, é comum encontrar pessoas reclamando de stress neste período do ano. Lídia Baer Barbosa, diretora de uma escola de inglês, diz que todos os finais de ano são estressantes para ela. ‘‘É um período no qual se acumula muita coisa. Além de ter que cumprir com a função de mãe, levando os filhos para ver a decoração de Natal e comprar presentes, preciso me preocupar com a avaliação pedagógica e financeira da escola’’.
Lídia Baer acredita que o motivo de estar tão cansada deve-se ao fato de ainda não ter aprendido a delegar tarefas. ‘‘Centralizo muito os serviços e as decisões, o que se torna muito desgastante. Esse é um desafio que pretendo vencer no próximo’’, afirma. A meta de Lídia é chegar ao final de 97 menos estressada. ‘‘Quero diminuir a quantidade de horas de trabalho e cuidar mais de mim e da minha família’’.
Preocupação O empresário José Roberto de Mattos conta que o stress está mais relacionado à preocupação do que ao excesso de trabalho. ‘‘Atualmente, está muito difícil ser microempresário no Brasil, principalmente no ramo de locadora de vídeos, que é o meu caso. As perspectivas futuras não são animadoras. Dezembro, geralmente, é um mês complicado porque é preciso pagar 13º e férias dos funcionários. Tudo isso esquenta a cabeça e tira o sono da gente’’, explica José Roberto.
Para a pianista e professora de música da UEL, Magali Kleber, o acúmulo de atividades que assumiu este ano foi muito estressante. ‘‘Além de dar aulas e fazer mestrado em São Paulo, fui coordenadora pedagógica do Festival de Música de Londrina. Sou uma pessoa que prefere pecar pela ação do que pela omissão. A partir de outubro comecei a ter insônia e a esquecer das coisas. Ainda bem que minhas filhas não dão muita importância a presentes, não tenho nem tempo de ir em shopping fazer compras’’, diz Magali, que confessa estar pensando seriamente em redimensionar os compromissos para o próximo ano.
Doenças Segundo o médico clínico geral Aparecido Pavan, o stress, além de problemas cardíacos, pode provocar gastrite, úlcera, dor de cabeça, diarréia, insônia, formigamento no corpo, hipertensão e até depressão. ‘‘As pessoas precisam diminuir a quantidade de compromissos, deixar de ficar levando trabalho para casa e valorizar mais o lazer. Desta forma, elas não chegarão ao final do ano tão cansadas’’.
De acordo com o médico, as pessoas mais estressadas são aquelas que fazem aquilo que não gostam. ‘‘Nesse caso, o trabalho se torna uma carga muito pesada’’. Ele recomenda, além de uma alimentação balanceada, muito exercício físico em contato com a natureza. ‘‘Caminhar, andar de bicleta e nadar são ótimos para descarregar as tensões. Viajar, assistir a bons filmes e ir a festas também ajudam a diminuir a carga de stress’’, diz Pavan.
Para o médico, o stress está muito relacionado à ansiedade. ‘‘Chega o final do ano, as pessoas ficam enlouquecidas para comprar, fazem dívidas e querem participar de todas os eventos para os quais são convidadas. Como não conseguem cumprir tantos compromissos, ficam angustiadas e deprimidas. Meu conselho é que as pessoas tirem o pé do acelerador e levem a vida em uma marcha mais lenta’’, orienta o clínico geral.

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