Apologistas dos fios naturais perderam espaço em um mundo em que a tintura é o primeiro dos imperativos catégoricos. Isso porque se antigamente as mulheres pintavam o cabelo para esconder os fios brancos, hoje elas fazem isso por estilo - e cada vez mais cedo.
Inúmeras pesquisas feitas por empresas deste segmento mostram que as brasileiras são campeãs no consumo de produtos de coloração no mundo, representando mais de 14% deste mercado. Um estudo da Avon revelou que oito em cada dez mulheres colorem os cabelos.
Além de mudar o visual, alterar a cor do cabelo confere personalidade à mulher. Se nos primórdios a tintura era caseira e chegava causar danos aos cabelos e até à saúde, hoje ela está cada vez mais evoluída, danificando menos os fios e durando mais.
Diante de tudo isso, mudar a cor do cabelo não é mais um problema. Porém, segundo os especialistas, prezar pela naturalidade na hora de colorir as madeixas é sempre o melhor caminho.
''Continuamos num segmento onde a naturalidade é muito apreciada. Antigamente, só fazia coloração quem estava ficando grisalho. Hoje é comum ver criança de 12 anos pintando o cabelo'', diz o cabeleireiro e coordenador técnico da Wella, Ricardo Pontye, que esteve em Londrina na última segunda-feira, em evento realizado pela Plaenge.
Como acontece com roupas, sapatos e acessórios, os cabelos também seguem tendência. Se há um tempo atrás todas queriam fazer a chamada californiana - método que deixava as pontas do cabelo mais claras -, hoje a técnica perdeu o posto para um processo que se chama ombré hair, que clareia da raiz até as pontas.
''Pontas claras com fundo escuro já não são mais bem-vindas. Hoje, o efeito tem um ar desbotado, mas muito natural. As pessoas querem cabelo colorido, mas que não seja artificial. A temporada é de cores quentes misturadas com frias. Cores quentes cito o dourado e o cobre, e o louro médio dourado acinzentado como fria'', explica Pontye.
O procedimento de coloração, asseguram especialistas, requer muito cuidado para evitar erros e resultados inesperados. Por isso, aconselha Pontye, melhor mesmo é procurar um profissional para mudar a cor dos cabelos. Mas, caso isso não seja possível e o procedimento tiver que ser feito em casa, a pessoa deve seguir à risca o que pede o produto em sua embalagem.
''Hoje o mercado dispõe de ótimas linhas de tratamento com preços acessíveis que garantem ótimos resultados. É preciso escolher produtos de acordo com o tipo de cabelo e não por ser o shampoo, o condicionador ou o creme mais caro'', afirma o cabeleireiro.
Se o processo de colorir os cabelos está cada vez mais aprimorado e democratizado, o que dizer então das mechas?
''Elas dão um lindo efeito no cabelo. Mechas são a assinatura de um profissional e precisam ser bem feitas. Sempre digo que cada escolha é uma renúncia e se você quer ter um cabelo com mechas saudáveis, tem que fazer menos mechas possíveis, sendo que elas precisam ter a mesma cor da raiz até as pontas. O profissional bom conscientiza sua cliente disso'', explica Pontye.
No quesito estilo de cabelo do momento, as defensoras dos fios lisos - naquele modelo bem chapado - não têm muito a comemorar, já que o movimento a la Gisele Bundchen, com cabelos ao natural e com mais volume, é o que há de mais bonito e pedido nos salões.
''O liso permaneceu por muito tempo, mas começamos a quebrar essa barreira que existia entre as mulheres. Hoje, bonito é ter um cabelo com movimento natural, com volume na medida certa. Assumir seu cabelo e cuidar dele é sempre a melhor atitude'', opina Pontye.

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''Assumir seu cabelo e cuidar dele é sempre a melhor atitude'', diz o cabeleireiro Ricardo Pontye
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As pessoas querem cabelo colorido, mas que não seja artificial. A temporada é de cores quentes misturadas com frias
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