O lado bom dos gibis
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sexta-feira, 15 de novembro de 2002
Agência Estado 
O aluno que lê gibi tem melhor desempenho escolar do que aquele que se debruça apenas no livro didático. E, em alguns casos, o benefício obtido com a leitura de histórias em quadrinhos é maior do que quando há contato dos estudantes com livros, revistas ou jornais. Essa é uma das conclusões do ''Retrato da Escola'', uma longa pesquisa feita pela Universidade de Brasília (UnB) a pedido da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação, para medir os fatores que afetam a qualidade do ensino em escolas públicas e particulares.
''Esse resultado derruba a velha idéia de que a criança não deve perder tempo com gibis. As histórias em quadrinhos dão mais informação e ampliam o universo das crianças. São informações que os livros da escola não proporcionam e, por isso, importantes'', afirma a coordenadora do estudo Ione Vasques-Menezes, pesquisadora do Laboratório de Psicologia do Trabalho da UnB.
Em alguns casos, o gibi quase dobra a performance do aluno, como é o caso dos alunos de 4º ano da rede pública. O percentual de estudantes com melhores notas (na avaliação do Saeb, um exame do Ministério da Educação aplicado em professores e alunos a cada dois anos) é de 17,1% quando os alunos lêem gibis, mas cai para 9,9% no caso de a resposta ser negativa. O mesmo ocorre no sistema de colégios particulares: a parcela dos melhores alunos sobe de 28,8% para 53,8% por causa dos quadrinhos.
A leitura de livros, jornais e revistas também alavanca as notas dos alunos da 4 série, mas o aumento é menor do que o obtido com as histórias em quadrinhos.
O ''efeito gibi'' também é grande quando o professor tem hábito de leitura. No ensino de 4º ano, o percentual dos alunos melhores avaliados pelos exames sobe de 12% para 15%, se os seus professores também são fãs de quadrinhos nas escolas públicas, e de 45% para 50% no sistema privado de ensino. Para Vasques-Menezes, esses resultados mostram que a leitura complementar é muito importante. ''Pode ser o gibi na infância e depois o jornal na adolescência. Mas a verdade, que não é nova, é que ler é sempre bom'', afirma.
De fato, a simples existência de livros nas estantes dos estudantes já interfere nos resultados. O estudo revelou ainda que, quanto mais livros o aluno disse ter em casa, melhor foi o seu desempenho nos testes do ministério. E esse resultado vale mesmo para os alunos que tiveram notas ruins no Saeb.
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