O inverno chega mais cedo na passarela
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sexta-feira, 15 de janeiro de 1999
Rosângela Vale 
Começa nesta segunda-feira, em São Paulo, a temporada de desfiles do MorumbiFashion Brasil, onde 19 das principais grifes do país estarão apresentando, até sexta-feira, suas novas coleções para imprensa e compradores do setor. A antecipação das datas - desde a primeira edição do evento, em 96, os desfiles outono-inverno aconteciam em fevereiro -, tornou-se necessária diante da globalização. Os desfiles primavera-verão, sempre realizados em julho, também foram antecipados para junho.
Croqui de Lino Villaventura: formas retas que delineiam o corpoEstá havendo uma reorganização estrutural em todo o mundo. Não dá para fugir disso. Nova York e Milão mudaram as datas dos desfiles. E enquanto país, temos muito mais a corrigir do que a Europa e os Estados Unidos. É um ajuste de mercado, observa o diretor artístico e idealizador do MorumbiFashion, Paulo Borges. A alteração do calendário dos desfiles possibilitará um melhor planejamento do trabalho nas confecções, dando mais tempo para que as coleções sejam produzidas e comercializadas, além de agilizar a programação das tecelagens e de toda a cadeia têxtil. Com isso, ganha-se em escala de produção, qualidade e preço.
Outra mudança no evento, que chega a sua sexta edição, é a realização dos desfiles em dois locais: de manhã, no MorumbiShopping; à tarde, no Pavilhão da Bienal. Fazer alguns desfiles no Shopping é uma forma de promover a aproximação dos estilistas com o consumidor. É também mais um passo para a cultura de informação de moda junto ao varejo, além de uma forma de reunir os jornalistas na hora do almoço, centralizando a informação, explica Borges, informando que as grifes distribuem convites só para 10% a 30% de seus consumidores finais. A grande maioria, portanto, busca informações sobre os desfiles na mídia, diz.
Look da Iódice: febre sportwearDe acordo com Borges, a temática desta VI edição do MorumbiFashion destaca a evolução das marcas brasileiras, que começam a ganhar identidade própria. Por isso, 1999 foi batizado de O Ano da Moda Brasileira. Já estamos colhendo os frutos da consolidação de um calendário de moda no País. Isso se observa não só na evolução das roupas, mas de todos os profissionais do setor, e também na visibilidade que o evento passou a ter na mídia mundial, ressalta. O próximo passo é fazer com que o selo Made in Brazil ganhe credibilidade no exterior.
Envolvendo cerca de 1.500 profissionais, entre modelos, maquiadores, cabeleireiros, camareiras, seguranças, equipe de montagem e de produção artística, o evento está orçado em R$ 1,5 milhão e tem os patrocínios do MorumbiShopping, Alcântara Machado, Lancôme, revista Elle, Lycra, Amni, Mappin/Mesbla, Frisco Diet, E!Entertainment Television, Havaianas e Hotel Sofitel. Os desfiles serão transmitidos ao vivo pela Direct TV, no canal 505, sem taxa extra.
O público, estimado em cinco mil pessoas por dia, vai poder conferir, além dos desfiles, a instalação do Estúdio Arezzo, com calçados criados pelos estilistas Alexandre Herchcovitch, Fause Haten, Glória Coelho, Lino Villaventura, Reinaldo Lourenço, Renato Loureiro e Walter Rodrigues. O evento conta ainda com o lançamento da cartela de cores verão 2000, baseada nas formas construtivistas da bandeira brasileira, concepção da designer Dora Levy.


