O inglês se modifica
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sexta-feira, 10 de fevereiro de 2006
Herika Fondazzi<br> Reportagem Local 
Embora o chinês esteja começando a chamar a atenção dos brasileiros, a língua estrangeira mais procurada nas escolas continua sendo o inglês. Ele ainda é requisito básico para alcançar bons postos de trabalho e ajuda muito na vida acadêmica, uma vez que muitos artigos são publicados no idioma dos lordes.
''Não acredito que nenhuma língua vá ocupar o espaço do inglês. Mesmo na China, existe um investimento grande do governo para ensinar o idioma para a população. O inglês já não pertence mais aos Estados Unidos ou a Inglaterra, pertence ao mundo'', comenta o professor e proprietário da Cultura Inglesa, Alan Thomas. ''Quando você faz uma entrevista de emprego ou precisa estudar para um mestrado ou doutorado, não se pede o chinês ou o francês. É tudo em inglês'', lembra a coordenadora da Canada American English School, Cleo Pissinati.
E mesmo sendo tão popular, as escolas precisaram modificar suas metodologias para se adequar ao ritmo de vida moderno e à tecnologia. Sem tanto tempo para estudar, os cursos com duração de seis ou sete anos começam a perder interesse. ''Fiz oito anos de inglês e acho que perdi muito tempo. O que aprendi poderia ser passado em três anos no máximo'', conta Cleo.
''Os cursos precisam se adaptar às necessidades de cada um. Uma criança pode ficar mais tempo estudando, mas um adulto tem pressa. É claro que quanto mais tempo se estuda, mais se aprende, mas é possível fazer isso de forma rápida'', diz Alan. Ele lembra que recursos como tevê a cabo, cinema e música ajudam na aceleração do ensino. ''A pessoa está sempre em contato com a língua e isso facilita muito. Dando-se ênfase à conversação é possível falar inglês em menos tempo do que os sete anos de antigamente'', comenta.
Na Canada, o curso todo dura 18 meses, mas a dedicação de professores e alunos é fundamental para o processo ser eficiente. ''O aluno precisa começar a falar desde o primeiro dia de aula e o professor tem que incentivar isso. Colocar o aluno em situações reais e evitar informações desnecessárias também é importante. E depois dos 18 meses nós temos os grupos de conversação, onde os alunos se reúnem para conversar, discutir algum tema atual, assistir e comentar um filme, para treinar o idioma'', explica Cleo.
Além de filmes, músicas e vídeos usados na escola, os alunos participam de atividades fora da sala de aula. ''Uma vez por ano temos o show de talentos, com apresentações artísticas, e durante o ano os alunos vão todos para a cozinha preparar alguma coisa, ou para uma lanchonete, para o shopping. É uma maneira de falar inglês fora do ambiente da sala de aula'', afirma.
Na Cultura Inglesa a música e o cinema também estão presentes nas aulas, que agora ganharam a ajuda da tecnologia. A escola acaba de montar um laboratório de multimídia e utiliza aparelhos de data show nas salas de aula. ''Com os computadores, os alunos têm acesso a jornais e sites americanos e ingleses, que são usados para discussões em sala e para aprender a cultura desses países. Já o data show facilita o trabalho do professor, que pode usar desenhos e gráficos para melhorar a aula'', diz Alan.
Mas ele lembra que a tecnologia é apenas mais uma ferramenta no ensino de idiomas. ''É preciso saber usar tudo isso da melhor forma possível para o aluno e para o aprendizado. O essencial mesmo são bons professores, boa metologia e alunos motivados'', ensina.
Para quem acredita que é impossível falar inglês sem morar em um país nativo, ele garante que isso não é verdade. ''Claro que viajar ajuda, mas não é o mais importante. Com a tevê e a internet, o mundo pode vir até nós sem precisarmos sair de casa'', afirma. ''Quando eu fui morar nos Estados Unidos, eu já falava inglês fluente. Morar fora ajuda na cultura adquirida e tira o medo de falar, mas mesmo morando aqui todo mundo pode aprender'', completa Cleo.


