Uma doença mental difícil de ser diagnosticada, muitas vezes confundida com depressão ou mero ''gênio ruim'', afeta pelo menos 800 mil pessoas só no Brasil.
O transtorno bipolar do humor, antes chamado de psicose maníaco-depressiva, transforma o comportamento da pessoa numa montanha-russa, subindo e descendo entre fases de depressão e mania.
Nos estágios mais graves de depressão, o doente sente-se triste e inseguro, amedrontado, sem vontade para nada. Nos períodos de mania, é o inverso: a pessoa torna-se acelerada e confiante demais, muitas vezes irritada e arrogante. Em alguns casos, pode fazer compras em excesso e perder o controle sexual.
O psiquiatra Frederico Navas Demetrio, do Grupo de Doenças Afetivas do Hospital das Clínicas, de São Paulo, afirma que o transtorno muitas vezes é difícil de ser diagnosticado porque os períodos de mania e depressão muitas vezes se manifestam de maneira diferente.
Segundo ele, há pacientes que apresentam principalmente os sintomas de depressão e só raramente os de mania, e vice-versa. Por isso, os transtornos bipolares, às vezes, são diagnosticados erradamente como depressão pura (chamada de unipolar). A confusão é perigosa, porque os tratamentos das duas doenças são diferentes. O uso de antidepressivos, indicado para a vítima de depressão, pode, em alguns casos, fazer o doente bipolar saltar da depressão para a mania e agravar os sintomas do transtorno.
Outra dificuldade é que vítimas de transtorno bipolar não reconhecem a própria doença, preferindo acreditar que os sintomas são traços de sua personalidade, principalmente nas fases de mania.
''A pessoa não se acerta com empregos e nem com parceiro nenhum, mas sempre acha que a culpa é dos outros'', explica Demetrio.
O problema afeta muita gente famosa. Kurt Cobain, vocalista da banda de rock Nirvana, por exemplo, chegou a compor uma música chamada ''Lithium'' nome em inglês do principal estabilizador de humor usado contra o transtorno. Cobain se matou em 1994, aos 27 anos.

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