Muito já se falou sobre a menopausa feminina e todo o processo de mudança característico dessa fase. Porém, ainda pouco se comenta sobre a ''menopausa'' do homem. Apesar de não ser novo, o tema ainda suscita polêmica, seja entre os catedráticos machões ou entre os próprios especialistas no assunto. De qualquer forma, a medicina anuncia novidades para o ''climatério masculino''.
A fase conhecida como andropausa, ou Padam (sigla em inglês para Partial androgen deficiency of the ageing male, em português significa: declínio de andrógeno no homem idoso), foi uma designação adotada em 1994 pela Sociedade Urológica Austríaca.
Esse declínio hormonal na meia-idade já começa a ser tão temido para os homens quanto a menopausa para as mulheres. A diferença entre uma e outra, porém, é que a andropausa não apresenta nenhum marco específico como acontece com a menopausa, quando a mulher pára de menstruar. Entretanto, vários sintomas são semelhantes. Segundo a literatura médica, a andropausa começou a ser percebida pela classe científica no início do século 20, quando o envelhecimento da população masculina tornou-se mais acentuado.
Reação em cadeia A andropausa caracteriza-se especialmente pela queda da produção hormonal, em especial da testosterona, principal hormônio sexual masculino. Fator que pode provocar uma reação em cadeia, nos planos psíquico e físico, em maior ou menor grau, como alterações bruscas de humor, perda de memória, depressão, insônia, apatia, enfraquecimento muscular, cansaço inexplicável, queda de produção intelectual, perda de cabelos, ondas de calor, sudorese (suor excessivo), perda de apetite, menor senso de orientação espacial, osteoporose, câncer na próstata, dificuldade em manter a ereção, ejaculação precoce, perda de libido e impotência.
A redução do hormônio pode também comprometer os níveis de colesterol, o que faz com que o homem fique mais suscetível ao desenvolvimento de placas de gordura nas artérias e ao diabete tipo 2. São sintomas que podem começar a ser detectados entre os 40 e, especialmente, 50 anos. Mas, ao contrário da menopausa, fase comum a todas as mulheres, a andropausa não vitima todos os homens, há exceções.
Diagnóstico Alguns exames podem ser realizados para ajudar no diagnóstico clínico do mal. Entre eles, os exames de sangue (para medir o índice de testosterona), espermograma (para medir a quantidade de espermatozóides), o urológico (conhecido como ''exame de toque''), a densitometria óssea (que detecta a osteoporose) e a ecografia da próstata e abdome.
Como ainda não é consenso entre os especialistas, a terapia de reposição de testosterona é vista com reservas. Entretanto, costuma ser realizada de quatro formas: via intramuscular (com injeções), via transdérmica (adesivos e gel), via oral (cápsulas ou comprimidos) e via subcutânea (implantes).
A novidade para o tratamento da andropausa é um novo gel, cuja substância ativa é a testosterona. Vendido comercialmente com o nome de Andractin, ainda não está disponível para o grande público, somente pode ser adquirido, por enquanto, via importadora. Custa R$ 43,00.
''É um tratamento mais moderno e mais barato do que os adesivos, que custam entre R$ 150,00 e R$ 300,00'', diz o urologista Paulo César Rodrigues Palma, presidente da Sociedade Brasileira de Urologia. Segundo ele, há duas opções do produto: o de uso escrotal e o de uso cutâneo. ''Este último é mais caro, mas pode ser afixado em qualquer parte do corpo'', explica. No entanto, Palma ressalta que ''nenhum método é mais eficaz do que a reposição hormonal feita com a injeção intramuscular, a cada três semanas''. Esta também é a opção mais barata até o momento: cerca de R$ 7,00.
Cautela Em contrapartida, o médico Sydnei Glina, andrologista e urologista, presidente da Sociedade Internacional de Pesquisa para a Impotência, com sede em Amsterdã, na Holanda, recomenda cautela quando o assunto é reposição hormonal. ''A medicina ainda não dispõe de mecanismos que provem a existência da andropausa'', afirma. O argumento de Glina é que a partir dos 40 anos, o organismo masculino passa por uma queda hormonal natural. ''Na maioria dos homens verifica-se essa queda, que pode ter grande variação''.
''Alguns especialistas dizem que essa queda é responsável por uma série de sintomas que são associados à andropausa'', informa Glina, acrescentando que somente 20% dos homens apresentam testosterona abaixo do normal. ''Não há nenhum trabalho científico em todo o mundo que comprove que a reposição hormonal melhora os sintomas relacionados a andropausa. Há, sim, riscos para o paciente. A reposição da testosterona traz riscos como o câncer de próstata, apnéia do sono e aumento do colesterol, entre outros. Deve-se ter muita cautela para não provocar problemas sérios para a saúde na tentativa de resolver erradamente os sintomas da velhice ou de uma depressão'', alerta.

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