Os especialistas são unânimes em afirmar que uma vida saudável é resultado de uma constante conduta preventiva. A boa alimentação, por exemplo, é essencial desde os primeiros anos. Consultar um médico com alguma regularidade após os 40 anos, ficar atento aos sinais do corpo, praticar exercícios físicos, evitar vícios como o fumo e o álcool são algumas dicas básicas acordadas entre os profissionais da área de saúde.
Todo mundo sabe que a alimentação é a base de tudo, especialmente quando o assunto é saúde. No entanto, manter diariamente uma dieta balanceada e preventiva não é tão simples como pode parecer. A nutricionista Lara Natacci Cunha lembra que um estudo realizado no ano passado revelou que mesmo as pessoas que vivem em países desenvolvidos, normalmente, não ingerem o mínimo recomendado de micronutrientes (vitaminas e minerais) em suas dietas, apesar da variedade de alimentos disponíveis nestas regiões. ‘‘Mais alarmante, a dieta nestes países falha também em providenciar ingestão adequada de macronutrientes (carboidratos, proteínas e gorduras), além dos micronutrientes’’, observa.
Além dos macronutrientes, 13 vitaminas e 17 minerais necessários à manutenção da saúde, alguns componentes que verificamos naturalmente nas plantas (chamados fitoquímicos), estão merecendo cada vez mais atenção dos pesquisadores, que procuram estabelecer uma relação entre a dieta alimentar e as doenças. Lara explica que os fitoquímicos (do grego phyto, que significa planta) são diferentes das vitaminas e minerais por não conterem valor nutricional. ‘‘Alguns desses componentes têm sido utilizados a séculos como base para medicamentos. Têm também funções antioxidantes, por protegerem as células da oxidação e da ação dos radicais livres. Eles foram reconhecidos apenas recentemente como poderosos agentes que oferecem proteção às doenças’’, verifica.
Fitoquímicos e câncer Já na década de 70, pesquisadores concluíram que uma dieta ideal, preventiva contra o câncer, devia conter várias porções de frutas e vegetais. ‘‘Outros acharam efeitos protetores em alguns tipos de alimentos provenientes de plantas, como nozes, grãos e sementes. Mas a maior evidência sugere que o fato de se comer muitas frutas e vegetais pode diminuir os riscos de desenvolvimento de alguns tipos de câncer’’, destaca. ‘‘Alguns cientistas concluíram que substâncias encontradas em cerejas diminuíram tumores pancreáticos em animais de laboratório, e outras, encontradas na pele de frutas cítricas, bloquearam o desenvolvimento de tumores de mamas e ainda reduziram outros tumores em animais de laboratório’’, completa.
Na Universidade de Harvard, uma pesquisa concluiu que uma boa ingestão de vegetais crucíferos, como brócolis e repolho, pode reduzir o aparecimento câncer de bexiga em homens. Já o levantamento feito pelo Fundo Mundial de Pesquisas sobre o Câncer (World Cancer Research Fund), publicado no British Medical Journal, concluiu que dietas ricas em frutas e vegetais e limitadas em carne são protetoras contra câncer de mama, próstata, intestino e outros. Recentemente, constatou-se também que uma dieta rica em frutas e vegetais resultam em um menor risco de doença cardiovascular. ‘‘De acordo com uma revisão de pesquisas da Associação Americana do Coração (American Heart Association), três classes de componentes de frutas e vegetais (esteróides, flavonóides e componentes sulfurados) são significativos em reduzir os riscos de aterosclerose. Esteróides são um grupo de lipídeos (gorduras) encontrados no organismo. O mais comum é o colesterol, parte essencial da membrana celular. Ele é tão importante que o organismo o fabrica’’, explica
O colesterol pode também, segundo alguns especialistas, estar associado ao desenvolvimento da arteriosclerose, a causa de ataques cardíacos e infarto. ‘‘A arteriosclerose também contribui para uma pressão arterial elevada e impotência sexual. Os esteróides, provenientes de plantas, e o colesterol, proveniente de carnes vermelhas e gorduras saturadas, competem pela absorção durante a digestão. Uma grande quantidade de esteróides de plantas diminui a absorção do colesterol proveniente de carnes e gorduras saturadas e, por isso, têm efeito protetor’’, anuncia.
A obesidade também deve ser controlada, uma vez que é fator de risco para o desenvolvimento de alguns tipos de câncer, doença cardiovascular e diabetes não insulino-dependente.

Recomendações dietéticas

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