Muito se fala sobre a relação da boa saúde com o consumo de grãos. Soja, chia, linhaça, lentilha, grão de bico... todos estes são famosos pelas suas propriedades benéficas ao organismo. No entanto, muitas vezes esquecemos de um grão que é nativo das Américas, barato e fácil de encontrar: o milho.
Presente na alimentação brasileira sob a forma de pipoca, milho cozido, curau, polenta, pamonha e outros vários pratos, o milho é uma alimento versátil, saboroso e saudável. De acordo com a nutricionista Pâmela Vidotti, o milho é um carboidrato e, por este motivo, pode ser consumido em substituição ao arroz ou à batata. ''Para serem melhor aproveitados pelo organismo, os carboidratos precisam ser consumidos junto com uma proteína, por este motivo é interessante associá-lo ao feijão ou a uma carne'', explica. Apesar dos vários benefícios, o milho é um alimento considerado calórico, já que 100 gramas contêm cerca de 360 calorias. Por isso, o exagero não é bom.
A nutricionista ressalta que o milho é mais completo do que o arroz e o trigo polidos porque possui mais fibras. ''Ele é rico em vitaminas A e B, além de minerais como ferro'', afirma. Pâmela acrescenta que outra característica importante do milho é a contribuição na prevenção de doenças cardiovasculares e degenerativas crônicas, já que o alimento possui uma substância chamada betaglucano, importante nestes casos. ''Algumas pesquisas apontam que o consumo regular do milho ajuda a adiar o envelhecimento'', salienta a nutricionista. Conforme ela, o grão também tem um alto conteúdo de melatonina, uma substância com propriedades antioxidantes que retarda a degeneração neuronal.
A variedade de pratos que se pode fazer à base de milho é muito grande, mas a nutricionista alerta para os cuidados que devem ser tomados na hora de temperar a comida. ''O milho é um alimento que pode ser consumido doce ou salgado, por isso é importante manter atenção ao sal e ao açúcar para não exagerar'', destaca.

Fortificação
A pesquisadora e professora do Departamento de Ciência e Tecnologia de Alimentos da Universidade Estadual de Londrina, Lucia Miglioranza, desenvolveu com um grupo de pesquisa um trabalho que confirmou as farinhas de milho como veículos eficientes para fortificação da população com ferro. ''Existem teorias que falam que o consumo do milho reduz a absorção do ferro, mas isso não se confirmou na pesquisa que desenvolvemos'', explica.
Para a professora, o milho deveria participar mais da dieta dos brasileiros e poderia ser mais explorado como produto fortificado. ''A legislação já obriga a fortificação das farinhas com ácido fólico e ferro e, contrariando algumas intervenções, o milho não interferiu negativamente na absorção destes minerais pelo organismo''. O ácido fólico é importante na formação do tubo neural dos bebês, por isso o consumo desta substância é recomendado principalmente para as gestantes e mulheres em idade fértil.

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