O fim do estica e puxa
A cirurgia plástica chega às portas do século 21 de cara nova. Desde seu boom na década de 60, novas técnicas surgiram para revolucionar o tratamento das inevitáveis marcas do tempo. Uma das grandes mudanças nessa área foi a de abandonar a idéia de que basta esticar a pele para melhorar a aparência. Apesar de usada em grande escala no passado, essa técnica encontra-se totalmente superada. Nos anos 70, novas pesquisas apontaram para a necessidade de recuperar a estrutura muscular para obter um resultado mais natural, evitando alterar as expressões.
Segundo a cirurgiã plástica Dolores Mamprim, esse método mudou os conceitos desse tipo de cirurgia, sendo usado até hoje. A técnica se constitui em fazer uma recuperação da malha muscular, reposicionando os tecidos da face. E a pele, ao invés de ser esticada, é acomodada normalmente. Desta forma, além de se obter um resultado melhor, o tratamento se torna mais duradouro. Quem se submete a uma cirurgia plástica quer que as pessoas percebam um rejuvenescimento natural e não um tratamento cirúrgico, observa a médica.
Quanto às cicatrizes, a médica ressalta que sempre vão existir e o paciente precisa estar ciente disso. Com o avanço das técnicas cirúrgicas, o corte está menor, menos visível e posicionado de maneira estratégica para ficar o mais escondido possível. Ela acrescenta que existem alguns fatores que também influenciam no visual da cicatriz. Isso vai depender muito do estilo de vida do paciente. Se ele pratica esportes, tem uma boa alimentação, não fuma e não é muito idoso. Nestes casos, a pele e a musculatura serão menos flácidas, resultando, é claro, num resultado final melhor, esclarece.
ReproduçãoO sonho está na cara: nos últimos 10 anos, a média de idade dos pacientes que se submetem à cirurgia plástica caiu cerca de 20 anos - de 55 para 35 anosRaios solares A cirurgiã plástica alerta também para os perigos do sol após uma cirurgia plástica. Os raios solares causam uma hiperpigmentação na cicatriz, deixando-a com coloração marrom-escura. No caso de cicatrizes que ficam expostas, a pessoa deve evitar tomar sol por um período de três a seis meses. O ideal é sempre usar um protetor solar antes de sair de casa, orienta.
Outra coisa que preocupa a maioria das pessoas que resolve fazer uma cirurgia plástica é a anestesia. A maior parte das cirurgias estéticas utiliza a anestesia local, precedida de sedação. Apenas em alguns casos específicos usa-se a anestesia geral informa Dolores Mamprim. Ela salienta ainda que existem determinadas patologias que impedem o paciente de se submeter a uma cirurgia plástica. Pessoas que têm diabetes e hipertensão descontroladas e insuficiência cardíaca descompensada. Já aquelas que usam medicamentos como antidepressivos e anticoagulantes só devem fazer uma cirurgia plástica depois de 10 a 15 dias da suspensão desses medicamentos, explica a médica.
Outro dado que mudou em relação às cirurgias plásticas foi o aumento da procura desse tratamento estético. Só no ano passado, foram realizadas 250 mil cirurgias plásticas no Brasil. Desse total, 80% foram na área de estética, revela. Segundo dados da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, nos últimos 10 anos, a média de idade dos pacientes caiu cerca de 20 anos. Em 1988, por exemplo, a média de idade das pessoas que se submetiam a esse tipo de cirurgia era de 55 anos; hoje está em torno de 35 anos. Aumentou também o número de homens que estão procurando esse tipo tratamento, acrescenta.
Milagres Dolores Mamprim afirma que, atualmente, as pessoas têm mais acesso à informação e estão mais preocupadas em estar de bem com a vida e consigo mesmas. Além disso, a cirurgia plástica deixou de ser uma coisa de elite. Qualquer pessoa que se programe durante algum tempo pode fazer esse tipo de tratamento estético, garante. A médica informa ainda que em Londrina, as cirurgias plásticas mais corriqueiras são as de mama, abdome, lipoaspiração e rinoplastia (do nariz). No caso específico dos homens, são as de pálpebras, do nariz, a lipoaspiração e o implante de cabelo.
A cirurgiã reforça a idéia de que as pessoas não podem esperar milagres da cirurgia plástica. Ela atenua as marcas do tempo e corrige imperfeições, mas não transforma ninguém em baluarte de beleza. Uma pessoa com 50 anos de idade não pode esperar que vai ficar com aparência de 20. Isso não é possível, afirma.
Outra coisa que o paciente precisa saber é que a cirurgia plástica não dura para sempre. As marcas do tempo voltam, mas a pessoa sempre vai aparentar uns 5 ou 10 anos a menos. Em uma cirurgia de face, por exemplo, as marcas do tempo constumam voltar depois de três a cinco anos. Mas isso vai depender muito do estilo de vida da pessoa. Se ela tiver cuidados com a alimentação, com a exposição ao sol, praticar esportes, enfim, levar uma vida saudável, as marcas do tempo vão demorar mais para voltar, garante a médica Dolores Mamprim.Dorico da SilvaQualquer pessoa que se programe durante algum tempo pode fazer esse tipo de tratamento estético, afirma a cirurgiã plástica Dolores MamprimCelso Mattos





