O fim do assalto à geladeira
Celso Mattos
Durante muitos anos, a humanidade não se preocupou com a obesidade porque o acúmulo de gordura no organismo era uma forma de o corpo reservar energia para sobreviver em tempos de escassez. Somente neste século, devido a grande incidência de mortes entre pessoas obesas, é que se iniciaram estudos sobre as doenças causadas pela obesidade como, por exemplo, hipertensão arterial, infarto do miocárdio, derrame cerebral, resistência à insulina e complicações ortopédicas. Além, é claro, dos problemas de ordem psicológica e estética que afetam a auto-estima daqueles que estão muito acima do peso ideal.
Pesquisas realizadas nos Estatos Unidos mostraram que os obesos mórbidos têm 12 vezes mais chances de morrer do que uma pessoa com peso normal. Atualmente existem 12 milhões de obesos mórbidos nos Estados Unidos, informa o cirurgião do aparelho digestivo Milton Ogawa. Ele esclarece que a obesidade mórbida é medida pelo Índice de Massa Corpórea (IMC), calculando o peso e a altura. Quem tem 1,40 de altura e pesa 100 quilos é um obeso de terceiro grau. Para essas pessoas, a cirurgia de redução de estômogo pode ser o melhor tratamento.
A gastroplastia com banda gástrica ajustável por vídeo-laparoscopia, como é chamada pelos médicos, é uma técnica que consiste em colocar através de intervenção vídeo-laparoscópica, uma banda ajustável que envolve a parte alta do estômago, reduzindo a capacidade do reservatório gástrico. Através de um cateter instalado debaixo da pele do paciente pode-se calibrar a banda, controlando o volume de alimento ingerido pela pessoa, acrescenta o médico. O cirurgião Milton Ogawa ressalta que só indica essa técnica para obesos de terceiro grau, que são aqueles que sofrem de obesidade mórbida.
A cirurgia Ele explica que antes de indicar a cirurgia, é preciso fazer um estudo clínico do paciente, observando idade e condições físicas. Apesar de ser uma intervenção vídeo-laparoscópica, ela tem seus riscos. É realizada com anestegia geral e caracteriza-se pela inserção de cânulas na cavidade abdominal, através de micro-incisões de 3 cm a 1 cm de extensão. Essa técnica exclui a necessidade de abrir o abdome, diminuindo o risco de infecções e outras complicações pós-cirúrgicas, observa Milton Ogawa, apontando outras vantagens: A alta hospitalar ocorre em 24 ou 48 horas, a dor pós-operatória é menor e o resultado estético é mais satisfatório, acrescenta.
O médico esclarece que a cirurgia não faz milagres. Após a operação é preciso fazer um acompanhamento nutricional e, às vezes, psicológico porque o obeso mórbido tem, geralmente, a comida como válvula de escape. Com a redução do estômago, sua saciedade alimentar será diminuída, portanto, ele vai precisar canalizar essa válvula para outra atividade. Nesse caso, uma orientação psicológica é fundamental. Outra recomendação é a prática de esportes aquáticos para esses pacientes, diz Milton Ogawa.
Um mês após a cirurgia é feito o primeiro ajuste da banda. Depois serão feitos outros, de acordo com o desenvolvimento corporal do paciente. O ideal é que a pessoa emagreça progressivamente. Em um ano, ela deve perder de 25% a 30% de seu peso. O médico informa que além da técnica vídeo-laparoscópica, existe a gastroplastia redutora, que consiste em cortar uma parte do estômago, ao invés de apenas amarrá-lo com a banda. É a cirurgia tradicional que exige a abertura do abdome. Essa técnica é mais indicada para os grandes obesos. Por exemplo, uma pessoa que pesa 200 quilos, chega a perder 45% do peso na cirurgia tradicional e 30% na vídeo-laparoscopia, ou seja, neste método ela ainda ficará obesa. Assim é melhor optar pela cirurgia tradicional. Mas tudo isso terá que ser avaliado detalhadamente pelo médico porque ambas as técnicas têm suas vantagens e desvantagens, argumenta o cirurgião Milton Ogawa.Cirurgia de redução do estômago desponta como tratamento eficaz para a obesidade mórbida
ReproduçãoA técnica consiste em colocar uma banda ajustável que envolve a parte alta do estômago, reduzindo a capacidade do reservatório gástricoDivulgaçãoA vídeo-laparoscopia oferece menos riscos ao paciente, afirma o cirurgião do aparelho digestivo Milton Ogawa





