Liberdade é uma calça velha, azul e desbotada que você pode usar do jeito que quiser....’’ Nos anos 60, esse jingle falava de um produto revolucionário, o jeans mais azul, o índigo blue que ‘‘desbota e perde o vinco’’. Ainda hoje ele é cultuado, usado, surrado e, numa era de releituras e revivals, é peça importante na moda. Só que nesta década, além do clássico azul, existem dezenas de tipos de jeans, um para cada tribo.
Ao falar sobre as tendências para o outono/inverno 99, no workshop promovido pela Vicunha, a consultora de moda Yeda Amaral citou as inúmeras possibilidades de uso do fio Lycra. Para dar mais conforto ao inquietos consumidores dos anos 90, o fio aparece misturado a tecidos como algodão, seda, viscose, linho e, é claro, ao jeans. Com a Lycra, o jeans ganha mais um benefício: é uma roupa que não amassa, não retorce, não desbota facilmente e é superconfortável.
Para elas, calça cargo com modelagem mais ajustada: streetwearYeda Amaral apresentou um painel revelando as tendências das malhas, fios e linhas e deu destaque ao jeans wear. Ela viaja quatro vezes ao ano para o circuito fashion internacional - Paris, Londres, Milão, Nova York e Roma - incluindo também Amsterdam ‘‘porque lá o jeans é uma realidade de mercado’’.
Estilo surfwear na confortável calça oversizePara o outono/inverno 99, ela pesquisou o blue jeans, o índigo e também o colour jeans que são brins e sarjas mais leves e coloridos, que aparecem muito no vestuário feminino em saias e tops. Para analisar as tendências do jeans, Yeda costuma pesquisar em três blocos: o dos gigantes, formado pelas marcas pioneiras como a Levi’s e a Wrangler, que mantêm a qualidade espalhada pelo mundo; no bloco dos formadores de opinião, como a Diesel, a Replay, a G Star, a




Mustang e a Pepe, porque o mundo inteiro busca conhecer seus lançamentos; e no terceiro bloco formado pelas grifes, assinadas por estilistas como Kenzo, Armani, Calvin Klein, entre outros.
Yeda conta que ultimamente existe uma indústria de nostalgia que está retirando informações do passado, interpretando as últimas cinco décadas. Ela diz que a década de 90 está muito baseada em imagens. ‘‘Os anos 90 são o império da imagem. O visual dá respostas mais rápidas e não sobra tempo para coisas complicadas. A moda daqui para frente vai ficar em cima de uma passarela gigante que são as ruas, diferentemente da época do prêt-à-porter, em que os salões ditavam moda’’, analisa a consultora. Ela diz que hoje são as atitudes, o comportamento, o estilo de vida e as tribos que fazem a moda. Pegando uma peça básica e colocando em várias gerações desde os 18, 30, 40 anos, cada um interpreta a sua maneira. A globalização fez com que o mundo se encolhesse, por isso, cada um procura hoje a sua individualidade na maneira de vestir dentro de sua tribo. ‘‘A diferença entre estilo e modismo é que o estilo fica e o modismo aguenta só três estações’’, garante Yeda.

mockup