O estagiário que virou sócio
O encontro entre os advogados Jurgen Puls, 57 anos, e Sandro Barioni de Matos, 27 anos, aconteceu há dois anos quando os dois prestavam serviços para uma mesma empresa. ''Nós viajávamos juntos a trabalho e com o convívio comecei a transferir alguns serviços meus para ele. Como eu viajava muito nessa época, não tinha tempo para cuidar de tudo no meu escritório'', conta Puls.
A oferta foi aceita de imediato pelo jovem advogado e, aos poucos, se converteu em sociedade. ''No início, fiz um estágio no escritório do Puls e depois ele me ofereceu parceria. Gostei da idéia porque sempre quis ter meu próprio escritório. E começar com alguém conhecido na cidade seria bom para mim'', diz Matos.
Os dois concordam que a parceria tem sido muito benéfica. ''Ele tem a literatura jurídica muito clara, por ter saído há pouco tempo da faculdade, e eu tenho uma trajetória que me permite ser uma espécie de relações-públicas. Temos tarefas divididas'', afirma Puls. ''Para mim, seria mais difícil chegar em um cliente novo por causa da pouca experiência e isso é compensado pelo nome do Puls. Eu tenho o ímpeto de fazer as coisas e ele me faz pensar mais antes de tomar uma decisão'', completa Matos.
Apesar da diferença de idade, os parceiros respeitam a opinião de cada um. ''As pessoas me perguntam se sou filho dele, mas esse tipo de relação não existe entre nós. Ele me convence pela argumentação e eu não tenho receio de colocar minhas idéias'', garante Matos. ''Ele não é meu aprendiz. Respeito muito o conhecimento do Sandro. Trabalhamos na mesma sala e trocamos opiniões'', completa Puls.
Ao contrário do que se pode imaginar, em algumas situações foi a opinião do mais jovem que mudou a rotina do mais velho. ''A idéia de transformar e desenvolver o escritório como uma empresa foi do Sandro. Não mudei minha forma de trabalhar, mas a vinda dele acrescentou muito. Acredito que nossa parceria vai durar muito e quando eu me aposentar, ele irá herdar o escritório'', garante Puls. ''Não o vejo aposentado, mas será natural eu ficar com o escritório'', comenta Matos. (H.F.)





