Uma lenda encontrada em manuscritos antigos conta como o beijo nasceu, graças ao vinho. Isso porque na Roma antiga, o vinho era interditado às mulheres, sob a pena de morte. ‘‘Se surpreenderes a tua mulher a beber, mate-a’’, era uma máxima comum daqueles tempos. Como explicar tamanho radicalismo? Simbolicamente, o vinho era associado ao sangue, e a mulher considerada adúltera caso bebesse um sangue estranho ao seu. Além do mais, o vinho era tido como abortivo, pois, segundo se acreditava, um sangue matava o outro. Por tratar-se de um dos quatro líquidos sacrificais – os outros eram a água, o leite e o sangue, acreditava-se que o vinho tinha poderes mágicos assim como as mulheres.
O vinho também era considerado pernicioso, podendo levar seres fracos à perdição. A sociedade de então considerava as mulheres seres fracos, que deveriam ser protegidos contra os excessos, os vícios e a desonra. Daí que, por precaução, os romanos passaram a beijar suas mulheres na boca quando chegavam em casa, para descobrir, pelo seu hálito, se haviam sucumbido a terrível tentação de beber vinho.
Quem pensaria que o beijo na boca de hoje, sinal de amor ou desejo, teria nascido do beijo inquiridor? Só bem mais tarde foi permitido às mulheres beber, e o beijo na boca passou a simbolizar amor, desejo, ternura e afeto.
Beijos e beijocas Em ‘‘Feng Shui do Amor’’, Editora Madras, Pier Campadello verifica que, se atualmente os chineses não são famosos adeptos das beijocas, no passado a coisa era bem diferente. Ele explica que, para os antigos chineses, beijo era coisa séria. Totalmente erótico, ‘‘uma inalienável comunhão sexual’’. ‘‘O feng shui do amor considera muito importante o beijo erótico profundo, perdendo apenas para o ato da relação sexual propriamente dita’’, informa. ‘‘Desde que os parceiros o apreciem, o beijo erótico deve ser realizado com a maior frequência’’, diz. ‘‘A única coisa que precisa servencida pelo casal é a barreira psicológica para aprender a beijar todas as partes do corpo do parceiro, e que geralmente é mais forte na mulher.’’
O terapeuta afirma que o beijo erótico é capaz de alterar toda a estrutura sensorial do parceiro (a), e algumas mulheres conseguem até chegar ao orgasmo com ele. Verifica, porém, que a técnica do beijo erótico envolve audição, tato, olfato e paladar, e consiste em relaxar os músculos bucais e faciais, pois se entra em contato íntimo e prazeroso com os lábios e a língua do parceiro (a).
Campadello destaca no livro os ensinamentos de Wu Hsien, mestre no assunto e autor de ‘‘The Libation of the Three Peaks’’ (‘‘O Beijo dos Três Picos’’). De acordo com o mestre, o beijo erótico pode percorrer vários caminhos até seu objetivo final, por exemplo, começando pelo ‘‘Pico do Lotus Vermelho’’ (os lábios), ou tocar direto a ‘‘Primavera de Jade’’ (a língua da mulher). Com mais entusiasmo, seguir para os ‘‘Picos Gêmeos’’(os seios), daí o ‘‘Poço Florio’’ (a boca) pode percorrer calmamente cada centímetro do corpo até o ‘‘Portão Escuro’’ (a vagina). É, então, o momento do beijo ‘‘Pico do Cogumelo Roxo’’ ou ‘‘Caverna do Tigre Branco’’ no tão desejado ‘‘Portão de Jade’’ (vulva).

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