Para algumas mulheres, o segundo domingo de maio é um dia marcado por uma certa tristeza. Enquanto as mães recebem presentes e carinhos dos filhos, elas recordam a frustração de não conseguir engravidar. Infelizmente, esse grupo de mulheres não é pequeno. Segundo o médico esterileuta Paulo Eduardo Olmos, autor do livro ''Quando a cegonha não vem'' (Carrenho Editorial, 248 páginas, R$ 35), aproximadamente 10% dos casais apresentam algum quadro de infertilidade. O alto índice da doença pôde ser confirmado em fevereiro de 2003, quando foi inaugurado o Centro de Reprodução Humana Governador Mário Covas, nas dependências do Hospital das Clínicas, em São Paulo. O centro, que tem capacidade para atender até 2 mil pacientes por ano, foi obrigado a encerrar suas inscrições em poucos dias, depois que 8 mil casais procuraram o HC em apenas uma semana.
Como se não bastasse a frustração da descoberta da infertilidade, a maioria dos casais que não consegue engravidar sofre uma verdadeira avalanche de termos técnicos e opções de tratamento quando procuram a medicina. Daí a importância do livro, onde o autor utiliza uma linguagem simples e acessível para apresentar uma abordagem completa das causas, exames e tratamentos da infertilidade. Doenças que impedem a gravidez, como a endometriose e a síndrome do ovário policístico, são explicadas detalhadamente, juntamente com as opções de tratamento existentes. Os desdobramentos psicológicos e emocionais da infertilidade também são enfocados e abordados como sendo um importante aspecto do tratamento.
Olmos defende que a fertilidade é resultado de uma parceria. Ou seja, ela é consequência da interação entre o homem e a mulher. Portanto, deve-se sempre considerar as características e dificuldades conjuntas do casal no momento de se escolher o melhor tratamento. É por isso que a participação masculina no tratamento é fundamental. Segundo Olmos, muitos homens se mostram bastante resistentes ao tratamento, alguns deles se recusando até mesmo a coletar esperma por meio de masturbação para os exames clínicos. Ainda sim, diz o autor, a participação masculina é indispensável.
Ao longo do livro, fica clara a posição do autor em defesa de um diagnóstico minucioso para o sucesso do tratamento. De acordo com ele, nem sempre são necessários tratamentos caros e de alta tecnologia para a conquista do tão sonhado bebê. Muitas vezes, tratamentos clínicos e cirúrgicos, que são amplamente abordados no livro, são suficientes para resolver casos mais simples de infertilidade. Ainda assim, todos os recursos mais modernos que a medicina oferece para vencer a infertilidade são apresentados no livro, desde uma simples indução de ovulação até os mais complexos procedimentos de fertilização in vitro.
Direcionado ao paciente e ao leitor leigo, ''Quando a Cegonha não Vem'' foi escrito em uma linguagem acessível e possui um glossário de termos técnicos e médicos. Além disso, a obra apresenta vários casos que servem de exemplos de quadros de infertilidade. Também merece destaque o respaldo científico ao livro, pois um dos cuidados do autor foi basear todos os seus dados e afirmações em textos científicos publicados em livros e revistas acadêmicas. O resultado são quase duzentas notas bibliográficas no final da obra que dão total credibilidade ao autor. n

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