Janeiro acabou, o Carnaval já passou e é hora de voltar à rotina, seja ela escolar ou de trabalho. E junto com a retomada vem o cansaço, o sono e a dificuldade de acordar cedo, mesmo quem teve tempo de sobra para descansar o corpo e o espírito. Nos primeiros dias de aula ou trabalho, parece que o organismo se recusa a sair da tranquilidade e da boa vida.
Segundo a neurologista Mônica Marcos de Souza, essas reações são completamente normais. ''Durante as férias geralmente as pessoas deixam de ter horários rígidos para dormir e levantar, não se preocupam com nada e, muitas vezes, ainda praticam atividades físicas por estarem na praia, piscina ou campo. O ritmo de vida muda bastante e o corpo se adapta a ele. Quando precisa voltar à antiga rotina, no caso a de estudar cedo e trabalhar, o corpo precisa se adequar novamente'', explica.
Até que essa adequação aconteça, a especialista afirma que sentir dificuldade para dormir e acordar mais cedo, ficar sonolento durante o dia e sentir cansaço são as consequências mais comuns da mudança das férias. ''Dependendo de cada pessoa, isso passa em dois dias ou até duas semanas. E não precisa passar por férias para ter esse tipo reação do corpo. Mesmo depois de um final de semana com horários diferentes, as pessoas já sentem dificuldade para acordar cedo na segunda-feira. Principalmente os jovens sofrem para se concentrar nas primeiras aulas da manhã porque, geralmente, durante o fim de semana vão dormir bastante tarde'', comenta.
Para ajudar o corpo e diminuir o tempo de adaptação, a neurologista garante que atitudes simples do dia-a-dia são boas opções. Segundo ela, é importante estabelecer um ritmo de sono e respeitar os novos horários, necessários para o trabalho e a escola. ''Todas as medidas para um sono limpo ajudam a voltar das férias: evitar cafeína horas antes de dormir, não praticar atividades físicas à noite, nem ficar no computador ou televisão até tarde. Ter um ambiente tranquilo, sem barulho ou iluminação direta e confortável também são fundamentais para um sono de qualidade. Mas o principal é definir uma hora para dormir e para levantar e respeitá-lo. Caso isso não seja possível em alguns dias, o ideal é procurar um médico que poderá receitar um medicamento'', ensina.
Já as bebidas alcóolicas, diferente do que muita gente pensa, não devem ser usadas como auxiliares para induzir ao sono. ''É comum algumas pessoas beberem vinho ou outra bebida para sentirem sono. Realmente o álcool leva ao sono mas por um período de duas ou três horas. Depois a pessoa desperta e o sono não tem mais qualidade'', lembra.
Para quem passou as férias em terras distantes e está sofrendo de jet lag (os problemas de adaptação causados pela diferença de fuso entre os países), a neurologista diz que as consequências são as mesmas e também o meio de resolver o problema. ''Dependendo da diferença pode ser que algumas reações mais graves, como tontura, vertigem e fraqueza, apareçam. Mas elas também passam em alguns dias com as atitudes citadas antes'', afirma.
E apesar dos problemas decorrentes das mudanças na rotina, a médica lembra que o período de descanso e de mudança dos hábitos é fundamental para a saúde física e mental. ''É um período para se distrair, pensar na vida e descansar. Quando o cansaço inicial passa e o corpo volta ao normal, a produção tende a melhorar bastante depois desse período. Tirar férias sempre vale a pena.''

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