Um dos maiores sonhos de todo casal é ter filhos, mas nem todos conseguem esse feito pelo método natural. Quando os tratamentos de fertilização também não são possíveis, a opção é adotar uma criança. O que antes era visto com uma certa preocupação e ficava em último lugar nas tentativas dos pais, tem se tornado algo comum e até incentivado pela atitude de celebridades que, mesmo podendo gerar filhos naturais, resolvem trazer para a família crianças que foram abandonadas ou perderam os pais biológicos.
  A mais famosa estrela a dar o exemplo é a atriz americana Angelina Jolie, que adotou duas crianças e agora está grávida do primeiro filho com o ator Brad Pitt. O bonitão Marcelo Antony também espalha para os quatro ventos a alegria com a chegada dos dois filhos. Recentemente a senadora Patrícia Gomes, que já tem dois filhos naturais adultos, adotou uma menina de um ano de idade. Mia Farrow, Sharon Stone e Nicole Kidman engrossam a fila.
  Infelizmente, para os brasileiros seguir a atitude dos famosos não é tarefa fácil. Segundo a promotora da Infância e Juventude de Londrina, Édina de Paula, a situação da adoção no Brasil é caótica. ‘‘Existem mais pais procurando um filho do que crianças disponíveis para adoção’’, explica. Para se ter uma idéia, em um dos maiores abrigos da cidade, apenas três crianças aguardam ser adotadas.
  Para essas crianças o problema passa a ser a idade. Duas estão com oito anos e outra com dez, fase em que os casais brasileiros não têm interesse. ‘‘Isso acaba fazendo com que essas crianças fiquem sem opção porque as pessoas preferem crianças com até um ano de vida. Embora eu não ache isso correto, as famílias têm o direito de escolher o tipo de criança que querem adotar e as mais velhas, geralmente, estão fora da preferência’’, diz a promotora.
  O problema acontece, segundo ela, devido à recusa dos pais em liberar os filhos para a adoção. ‘‘Conheço mães que têm um monte de filhos, moram na rua com as crianças, mas não as entregam para a Justiça. O triste é que muitas vezes isso não acontece por amor. Os pais vêem nos filhos um investimento para o futuro. Acreditam que quando ficarem adultos eles cuidarão dos pais. Não percebem o mal que estão fazendo porque não tiveram exemplo de preocupação e carinho quando eram crianças. É a miséria emocional que se perpetua’’, comenta.
  Quando não há a liberação por parte dos pais para a adoção, a Justiça pode entrar com o pedido de destituição do poder familiar quando se percebe que os pais não oferecem boas condições de cuidar dos filhos, por violência, abandono ou motivos financeiros. O problema então passa a ser a demora no processo, que leva entre quatro e cinco anos para ser concluído. ‘‘Pela lei, é fundamental esgotar todas as possibilidade da criança ser criada pelos pais biológicos antes de ela ser retirada da família. A Justiça demora e isso é triste porque as crianças não podem esperar. Quanto mais o tempo passa, mais difícil será conseguir uma adoção.’’

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