O desafio da sala de aula
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 22 de janeiro de 2010
Micaela Orikasa<br> Reportagem Local 
Começa mais um ano escolar. Tempo de acordar cedo, cumprir obrigações, estabelecer uma rotina e sair de casa. A cena, tão comum a qualquer estudante, não é tarefa simples quando ela acontece pela primeira vez. Como é o caso das crianças, que mal acabaram de sair das fraldas e estão prestes a enfrentar um novo desafio: ir à escola.
A mudança, como qualquer outra, traz insegurança e estranhamento em relação à escola, aos novos professores e colegas. E é por isso, que os primeiros dias ficam muitas vezes, marcados pelas lágrimas das crianças e fragilidades dos pais, que também sofrem ao ter que deixar os filhos inseguros.
Como a situação é comum, muitas escolas já debatem essa questão antes mesmo de dar início às aulas, preparando um ambiente mais acolhedor e atrativo, para que a adaptação aconteça de forma bem natural.
Nossa preocupação é promover orientação e acessibilidade aos pais para que eles se sintam seguros em deixar o filho na escola, pois na grande maioria dos casos, a criança se sente mais insegura porque os pais transparecem isso, diz a orientadora educacional do Colégio Portinari, Ana Maria Costelini.
Além dos pais, a instituição também faz um preparo prévio com os professores, através do encontro pedagógico, onde são discutidos projetos e conteúdos que irão nortear as crianças no decorrer do ano, principalmente na fase de adaptação.
É por isso que a escola investe em materiais, estrutura, tecnologia e o que consideramos fundamental, a interação com a família. Ter os pais participando da vida escolar do filho, independente da série que esteja cursando, é primordial, comenta o diretor educacional, Edmilson Vicente Leite.
O que é muito frequente é que nos primeiros dias de aula, muitos pais vêem a necessidade de acompanhar o filho na sala de aula, o que na opinião de orientadores educacionais, é um atitude desnecessária. Aí é que entra a importância dos pais terem esse diálogo aberto com a escola, para que eles próprios se sintam seguros com a atitude de deixar o filhos na sala de aula, ressalta Leite.
Para os maiores, conteúdo mais participativo
Não muito diferente dos pequenos, os alunos de 5ªsérie em diante, que já estão totalmente adaptados ao ambiente escolar, também exigem aulas diferenciadas, mas por um motivo em especial: eles já detêm muitas informações.
É uma geração denominada Y, que é cheia de informação, justamento pelo advento de ferramentas tecnológicas que facilitam esse acesso e volume. E o desafio do professor hoje em dia, é dar significado a essas informações, comenta Robson de Oliveira, pedagogo do Colégio Interativa.
Ele também observa que o papel da escola está se corrigindo, com o professor tendo ciência de que ele não é o único detentor da informação, e sim o indivíduo que tem competência para dar sentido à ela.
Outra evolução que Oliveira cita é a participação ativa do aluno, que deve ser construída junto com o professor, como uma parceria. O tom deve sair do expositivo, pois quanto mais as aulas forem operatórias e ativas, mais o aluno irá se envolver nesse processo, orienta Oliveira, que entre os diferenciais do Interativa, comenta que as aulas têm duração prolongado para 70 minutos. Quanto mais eu extrapolo o tempo, mais eu consigo trabalhar o conteúdo. É por isso que se faz necessária a metodologia de aula participativa, para não cansar o aluno, ressalta.


