Ficar ‘‘banguelinha’’ ou com a famosa ‘‘janelinha’’ já foi problema para muitas crianças, principalmente em tempos passados, quando os pequenos, talvez por falta de esclarecimento, não encaravam a troca de dentes como uma fase natural e sim, como uma coisa ruim, afinal, os dentes estavam, literalmente, caindo.
  Simpatias, como jogar o dentinho no telhado, apelando para que Mourão o levasse pra longe o dente ‘‘podre’’ e no lugar, fizesse nascer outro ‘‘são’’ eram muito comuns. E não necessariamente, esse dentinho estava comprometido. A hora era mesmo de cair.
  Os pedidos hoje são mais sutis e menos traumáticos. As trocas, são feitas com ‘‘fadinhas’’, que levam o dentinho que caiu, fazem nascer outro novinho no lugar e ainda por cima, deixam um presentinho (espécie de recompensa pela troca, geralmente em dinheiro) debaixo do travesseiro.
  Com as mudanças de hábitos, que incluem muitas idas ao dentista desde cedo, as ‘‘janelinhas’’ hoje são motivo de orgulho para muitas crianças, que fazem questão de mostrá-las, sem nenhum constrangimento. Tudo bem que os pequenos de hoje são mais despojados, mas os próprios dentistas percebem um comportamento diferente das crianças em relação à troca dos dentes de leite.
  É o que acontece com Íris Scalassara, de sete anos, que mostra com orgulho a ‘‘janelinha’’. Há seis meses ela iniciou a troca de dentes e dos oito que caíram, sete já nasceram no lugar. Falta apenas o dente da frente (incisivo). Um deles, já nasceu inteirinho e bem grande, diferente dos demais que são ainda bem pequenos. Isso não incomoda a menina, que faz pose para a foto, exibindo a ‘‘banguelinha’’.
  A mãe, Meire Scalassara, conta que o acompanhamento de Íris é feito desde bebê, a exemplo dos outros três filhos, Luara, Artur e Lorena, hoje adolescentes. ‘‘Sempre tivemos muita preocupação, principalmente porque os mais velhos começaram a perder os dentes precocemente, por volta dos quatro anos e o nascimento dos outros dentes aconteceu só a partir dos seis anos’’.
  No caso de Íris, a troca aconteceu sem precocidade e o contato assíduo com a dentista, tem garantido uma fase tranqüila. ‘‘Eu adoro ir lá (ao consultório)’’, afirma a menina, que não dá trabalho na hora de escovar os dentes e passar o fio dental. ‘‘Ela (a dentista) me ensina como cuidar do dente e depois eu posso brincar’’, conta, revelando os atrativos do consultório, que ajudam a deixar um ambiente mais tranqüilo para a criança.
  As freqüentes idas ao consultório dentário, garantem a Íris uma boca saudável, sem nenhuma cárie. E ela faz questão de continuar cuidando dos dentes. A mãe salienta o contato da odontopediatra com a família, que sempre é alertada sobre como ajudar a criança a cuidar dos dentes. ‘‘É uma relação muito boa e existe todo um cuidado para não deixar a criança traumatizada. Quando chega a fase de troca, a criança encara de forma natural. Não estamos tendo problema nenhum com a Íris. Ela está adorando a ‘janelinha’ ’’.
  Quem também está passando pela fase da janelinha é Enzzo Liberatti, de apenas seis anos. No caso dele, a perda do dente, em função de um trauma foi bastante precoce, antes dos cinco anos. O motivo foram duas quedas sofridas aos três e quatro anos, que abalaram a estrutura dos dentes anteriores. ‘‘Não chegaram a cair, mas precisaram ser ‘fixados’ com uma espécie de fio, para mantê-los no lugar’’, explica a mãe, Cristiane Liberatti.
  O problema foi acompanhado por uma odontopediatra e durante meses, Enzzo precisou fazer uma dieta especial com alimentos mais moles para não forçar os dentes. Todo um trabalho de conscientização foi feito com o menino, que seguramente, perderia os dentes mais precocemente.
  Hoje, dos oito dentes que já caíram (quatro superiores e quatro inferiores) dois dentinhos inferiores já nasceram. ‘‘Os superiores devem demorar um pouquinho mais e a dentista já avisou que ele terá que usar um aparelho para abrir a arcada, porque os dentes de cima serão bem grandes’’.
  Para Enzzo, a ‘‘janelinha’’ não é problema. Um amiguinho da escola passa pela mesma situação e ele já está acostumado. Além disso, por causa das quedas, ele já sabia que o dentinho dele cairia antes. ‘‘Agora é só esperar o dentinho novo’’, conforta a mãe.

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