O corpo exige exclusividade
Angela Raizer Barbosa
No início dos anos 70, correr era o melhor remédio para prevenir todos os males causados pelo sedentarismo. O criador do método, o médico cardiologista Kenneth Cooper, alardeou para o mundo inteiro que era preciso praticar esse tipo exercício para melhorar a condição física, e todos entraram nessa onda. Anos depois, já na década de 80, o mesmo Kenneth Cooper começou a incentivar as caminhadas porque, segundo ele, caminhar era muito mais saudável que correr. Desde então, o simples ato de andar com frequência se transformou num exercício praticado por pessoas de todas as idades. Paralelamente vieram as academias com seus pacotes de ginástica e grandes espaços, que reúnem até hoje um sem número de frequentadores em busca do condicionamento corporal e da beleza física.
De tempos em tempos surgem novas modalidades de malhação, sem contar os sofisticados equipamentos que prometem moldar o corpo à perfeição. Da aeróbica à musculação, os corpos vão sendo esculpidos como se fossem feitos de argila. Alguns praticantes conseguem os efeitos desejados, outros ficam no meio do caminho, decepcionados com os resultados ou até machucados com a sobrecarga de exercícios praticados.
Movimentação A questão é saber até que ponto esses exercícios coletivos, praticados pelos mais variados tipos físicos e etários, são benéficos para a saúde de cada um. Nosso corpo não foi criado para fazer exercícios, tanto é que temos duas pernas, dois braços e um tronco maleável para nos movimentarmos, diz o fisioterapeuta Mário Eugênio Morini. O problema é que com a evolução tecnológica, o nível de sedentarismo atingiu um índice tão alto que é preciso fazer exercícios, sim. Hoje, a falta de movimentação começa na infância, com crianças sendo transportadas de um lado para outro de carro, elevadores substituindo escadas, controles remotos facilitando a vida cotidiana, o que nos obriga a exercitar o corpo de forma programada, diz.
O que não é saudável, segundo Mário Morini, é a prática de exercícios sem avaliação e acompanhamento adequados. Não basta consultar um cardiologista, por exemplo, para avaliar o desempenho cardiovascular. São necessários outros exames, que indiquem os exercícios que uma determinada pessoa têm condições de desenvolver, a intensidade e os limites que seu corpo aguenta com segurança, sempre respeitando normas e princípios, argumenta o fisioterapeuta.
Para isso, ele cita a necessidade de testes de volume de oxigênio, porcentagem de gordura, medição de força, flexibilidade, coordenação, postura e possíveis alterações osteomioarticulares. Analisados todos esses itens, é possível determinar até o tempo e a intensidade de uma simples caminhada. Durante esse tipo de avaliação que ele aplica em sua clínica, e depois, no desenvolvimento dos exercícios, um monitor de frequência cardíaca acoplado ao corpo da pessoa dá os limites - inferior e superior - para trabalhar com segurança a intensidade do exercício. Suponhamos que os limites de batimentos cardíacos de uma pessoa sejam 120 (inferior) e 150 (superior). Neste caso, o exercício com intensidade abaixo de 120 não está surtindo efeito, e acima de 140 batimentos ocasiona sobrecarga metabólica, que é prejudicial à saúde. Então, se o máximo a que uma pessoa pode chegar é 140, para que forçar o corpo a limites mais elevados? questiona Mário Morini.
Massificação O fisioterapeuta alerta que o grande erro na prática de exercícios é a falta de individualidade. Como obter resultados satisfatórios numa aula coletiva de hidroginástica ou de aeróbica se a nossa frequência cardíaca é individual, se somos pessoas diferentes, cada uma com uma frequência cardíaca? Da mesma forma que duas pessoas caminhando juntas, no mesmo ritmo e tempo de percurso, estão totalmente incorretas. Todo mundo manda fazer exercícios, mas ninguém ensina como; tudo o que se faz em grupo não respeita a individualidade, argumenta. Na opinião dele, essa massificação leva a consequências sérias, tanto metabólicas quanto de estrutura óssea.
Mário Morini dá um exemplo prático para explicar sua teoria: Quando vamos a uma loja de roupas ou calçados compramos o produto adequado ao nosso tamanho e estilo, para que sirva confortavelmente; essa individualidade também deveria ser respeitada na hora de começar uma atividade física.
Outro aspecto analisado pelo especialista diz respeito à prática repetitiva de exercícios. Não se pode fazer o mesmo exercício durante 30 dias seguidos porque o corpo entra em estado de entropia, ou seja, ele se adapta àquele exercício para se proteger e evitar o desgaste e não produz os mesmos efeitos dos primeiros dias. Assim, é preciso mudar o programa de atividades. Uma caminhada diária de uma hora, por exemplo, depois de 30 dias, tem que ser reduzida ou aumentada. Nessa troca de programa, é preciso fazer uma reavaliação para determinar outros limites, garantindo a evolução da atividade física, explica o fisioterapeuta.
Serviço:
VoDois - Sports Clinic, fone (043) 323-1214.Fisioterapeuta alerta para a necessidade de avaliação e acompanhamento individuais na hora de praticar exercícios
Josoé de CarvalhoUm monitor de frequência cardíaca acoplado ao corpo dá os limites para a intensidade exata do exercício, enquanto o fisioterapeuta Mário Morini monitora a pressão arterial





