O céu é o limite
Celso Mattos
Viver a maior parte do tempo mais próximo do céu do que da terra pode ser um estranho modo de vida, mas desperta muita paixão. Assim é a rotina dos comissários de bordo. Profissionais que permanecem, em média, oito horas por dia a quilômetros da terra, longe de parentes e amigos. Aventura? Não. Ser comissário de bordo exige muita disciplina, despreendimento, dedicação e amor por uma profissão que foge completamente à normalidade das demais. Mesmo assim, muitos jovens sonham com a possibilidade de um dia trabalhar numa grande companhia aérea e viajar pelo mundo.
Estar um dia em Paris, outro em Roma exerce um grande fascínio e, com certeza, pesa na escolha da profissão. Porém, essa visão romântica está longe de representar a realidade do dia-a-dia do comissário de bordo, que é altamente estressante. Mas também compensadora e promissora, afirma Solange Gaya de Oliveira, coordenadora do curso de Comissários de Bordo, oferecido pelo Aeroclube de Londrina. O turismo é um dos setores que mais vem crescendo no Brasil e no mundo, gerando boas perspectivas de trabalho para esses profissionais. Além disso, a redução no preço das passagens aéreas tem levado muitas pessoas a preferir viajar de avião, elevando a demanda de trabalho, acrescenta Solange Gaya.
Ela observa que a maioria das pessoas desconhece a real atuação desses profissionais. Muitos acham que eles estão ali apenas para servir as refeições. No entanto, além de fazer um curso teórico que envolve conhecimento da aeronave, de meteorologia, medicina aeroespecial, navegação e segurança de vôo, eles passam por um rigoroso treinamento de sobrevivência na selva, na água e no gelo, destaca. Solange Gaya ressalta que o comissário de bordo precisa estar preparado, inclusive, para pousar uma aeronave em caso de extrema emergência. Depois do piloto e do co-piloto são eles que melhor sabem como funciona um avião, argumenta. Dois alunos que terminaram o curso em Londrina já estão voando na rota São Paulo/Paris.
Apoio familiar Enquanto muitos jovens sonham em passar no vestibular e entrar para a universidade, Wendel Rogério Dantas, 22 anos, abandonou o curso de Propaganda e Marketing para realizar o sonho de ser comissário de bordo. Ele está terminando o curso, e por falar fluentemente o idioma japonês, já está sendo sondado por uma grande companhia aérea. Estudo japonês há 12 anos e morei quatro anos no Japão, onde trabalhei até como segurança de boate, conta.
Com a aliança no dedo e pretendendo se casar em breve, Wendel Dantes reconhece que é impossível para o comissário de bordo planejar a vida como a demais pessoas, mas confessa que está seguro de sua escolha. Estou tendo apoio da minha noiva e de minha família, o que é muito importante. Tenho total consciência de que é uma profissão que exige muitas renúncias, mas também possibilita uma vida que foge à rotina e oferece boas perspectivas, afirma. Já Helen Sanches, 22 anos, teme pela dificuldade de se manter um relacionamento quando se passa mais tempo no ar do que terra firme. Vou passar mais tempo com a tripulação do que com minha família e amigos, mas toda a profissão tem seus pontos positivos e negativos, avalia.
Rafaela Brancalhão, 18 anos, estava se preparando para prestar vestibular para Direito, no entanto, resolveu fazer o curso de Comissário de Bordo por achar que tem mais a ver com sua personalidade. Estou gostando muito, e acredito que finalmente encontrei minha verdadeira vocação. A mesma empolgação é visível nos olhos de Patrícia Vicentim das Neves, 22 anos. Quando coloquei o uniforme do curso tive a certeza de que estava no caminho certo, afirma.Curso prepara jovens que desejam ser comissários de bordo. Uma profissão que oferece boas perspectivas de trabalho
Fotos: Daniel ProcópioVou passar mais tempo com a tripulação do que com minha famíla, diz Helen SanchesPatrícia Vicentim das Neves e Wendel Rogério Dantas não têm dúvidas de que estão no caminho certo





