Angela Raizer Barbosa
A revolução sexual e o advento da pílula anticoncepcional provocaram uma grande virada no comportamento de homens e mulheres, dando a impressão que a guerra entre os sexos, finalmente, chegara ao fim. No entanto, dados estatísticos têm comprovado que as relações entre homens e mulheres ainda não alcançaram a tão desejada paz. Aliás, desde a publicação do Relatório Kinsey, o primeiro a furar o bloqueio sobre a intimidade dos casais nos anos 50, sexo e amor são temas de livros e pesquisas que procuram saber porque muita coisa ainda não mudou na relação a dois. Afinal, é tão difícil ser feliz?
‘‘Não é fácil, mas a felicidade é possível’’, admite a sexóloga e escritora Maria Helena Matarazzo, que esteve recentemente em Londrina a convite da Associação Brasileira de Treinamento e Desenvolvimento (ABTD). Ela lembra que a revolução sexual começou na década de 70 e durou até 1985, quando apareceu a Aids. ‘‘Até essa época havia uma enorme repressão da sexualidade. Com a chegada da pílula anticoncepcional, as mulheres ficaram mais livres, conquistaram o direito ao prazer e, daquela repressão total, o pêndulo foi para o outro extremo, ou seja, a liberdade sexual foi mal compreendida’’.
Falta de afeto Hoje, segundo Maria Helena, estamos vivendo a pós-revolução sexual - as pessoas estão mais exigentes e seletivas quanto aos parceiros . ‘‘É a ditadura do prazer, principalmente para as mulheres, que estão mais informadas e se preocupam quando não conseguem senti-lo’’. Entretanto, a sexóloga revela que a maior queixa das mulheres ainda está relacionada à falta de afeto, do toque amoroso, enquanto os homens reclamam do desinteresse das mulheres por sexo.
‘‘Os homens ainda privilegiam o contato sexual, talvez até porque a resposta sexual é mais simples do que nas mulheres. Mesmo com todas as mudanças e conquistas das últimas décadas, a mulher ainda valoriza o ‘‘antes’’ e o ‘‘depois’’; o homem dá mais valor à penetração e ao orgasmo. As fantasias também continuam - ela sonha com o príncipe encantado, uma fantasia que existia antes da revolução sexual e continua existindo na cabeça das mulheres. Já o homem não quer só a princesa, mas todas as mulheres bonitas da redondeza, e não admite ser rejeitado’’. Outro aspecto analisado por Maria Helena Matarazzo, que talvez possa justificar parte do alegado ‘‘desinteresse sexual’’, é a dupla jornada de trabalho, que faz com que as mulheres simplesmente ‘‘apaguem’’ ao final do dia. ‘‘O homem, não, pode estar exausto, mas o interesse sexual não se apaga’’.
Apesar de todas essas diferenças e dificuldades na relação a dois, homens e mulheres continuam se encontrando, numa busca incansável da felicidade. ‘‘O problema é que só se namora na fase de conquista. Depois que as pessoas se casam, se descuidam do amor e suas manifestações. Surge o distanciamento emocional e, se não houver um esforço consciente, o relacionamento fica morno e acaba’’, observa a sexóloga. Para que isso não aconteça, os casais precisam continuar namorando pela vida afora, separar um tempo para sair, fazer programas, conversar’’, acrescenta Maria Helena. ‘‘A verdade é que ninguém quer desistir do amor. O que todos nós desejamos é saber onde encontrá-lo e como impedir que o seu preço seja alto demais’’.Amor, afeto e prazer - as relações entre homens e mulheres ainda estão longe do equilíbrio
Arquivo FolhaApesar de todas as diferenças e dificuldades na relação a dois, homens e mulheres continuam se encontrando, numa busca incansável da felicidadeDivulgação‘‘O problema é que só se namora na fase de conquista. Depois que se casam, as pessoas se descuidam do amor’’, afirma a sexóloga Maria Helena Matarazzo

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