O casamento depois dos filhos
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sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012
Paula Costa Bonini <br> Reportagem Local 
A chegada de um bebê altera completamente a rotina de um casal. Tudo muda. As prioridades, as responsabilidades e até mesmo o modo de encarar a vida. As atividades de lazer e os horários também passam a ser diferentes, especialmente nos primeiros meses da criança. A família precisa se adequar a uma nova realidade, que reflete no relacionamento do casal. O tempo dedicado ao outro é reduzido consideravelmente e a frequência sexual diminui.
Um estudo da Universidade Nacional da Austrália, intitulado ''O que o amor tem a ver com isso?'', aponta que o índice de separação entre casais com um filho é de 13% e entre os que têm duas ou mais crianças é de 11%. O número de divórcios cai para 8% em casamentos sem filhos.
Por isso, o ideal é se preparar para a chegada de uma criança. A variedade de métodos contraceptivos e o aumento de campanhas de conscientização contribuem para isso. Os casais cada vez mais têm a oportunidade de se organizar financeiramente e emocionalmente, o que pode refletir de forma positiva nas relações conjugais. Mas quando não é possível planejar a gravidez, é importante que o casal tenha maturidade para encarar as mudanças e entenda que o momento é vivido de maneira diferente entre homens e mulheres.
O casal Marília (microempresária) e Carlos Daniel Mercer (analista de sistemas) conseguiu preservar - e até melhorar - a relação após o nascimento dos três filhos, Matheus, 13, Gabriel, 4, e Laís, 1. Quando se casaram, há quase 15 anos, Marília já estava no quarto mês de gestação. Ela se tornou esposa e mãe em um curto período. Foram muitas mudanças ao mesmo tempo. ''Sempre conversamos muito e isso ajudou bastante. O homem e a mulher devem ter a liberdade de falar sobre o que estão sentindo naquela situação'', afirma Marília.
Ela conta que a vida sexual não mudou durante as gestações, mas que as coisas passaram a ser diferentes quando as crianças nasceram. ''Após o nascimento dos três, durante alguns meses, eu não sentia tanto desejo e não tinha vontade de ter relação. As prioridades mudam. Mas procurei não me afastar'', relata.
O casal buscou outras formas para manter a intimidade em dia. ''Não é preciso sempre ter sexo. Reinventamos os nossos momentos, mas não deixamos de ficar juntos'', pontua.
Para Carlos Daniel, a partir do momento em que a mulher fica grávida, o homem passa a vê-la de outra maneira. ''Passei a enxergar a Marília não só como mulher, mas também como mãe. Isso, de certa forma foi positivo. Eu passei a me sentir mais viril'', admite, ressaltando que sempre fez questão de ser um marido e um pai presente.
Segundo Marília, é muito gratificante ver Carlos Daniel participando ativamente da educação dos filhos. ''Isso nos aproxima ainda mais'', observa.
Sempre que possível, o casal deixa um pouco os filhos para ficar a sós.
Saem para jantar, vão ao cinema e já chegaram a dormir fora de casa em datas especiais, como o Dia dos Namorados e aniversário de casamento.
A psicóloga Lucianne Fernandes, especialista em sexualidade humana, afirma que o primeiro ano é um período de readaptação para toda a família, mas o casal não deve abrir mão de passar um tempo junto. ''O casal deve estar disposto a se reconquistar. Se possível, após a quarentena, é interessante reservar um dia da semana para realizar um programa a dois'', aconselha.


