Todos os anos, a chegada da primavera e a aproximação do verão levam milhares de pessoas a procurar academias de ginástica e médicos endocrinologistas na tentativa de perder peso e modelar o corpo para a estação das saias curtas e blusas justas. Mas pouca gente sabe como perder peso de forma saudável e quanto é preciso fazer a balança baixar.
  Na maioria dos consultórios e academias existem aparelhos específicos para medir a quantidade de gordura no corpo e, conseqüentemente, o peso ideal para cada indivíduo. O problema é que esses equipamentos, que se parecem com compassos e medem a camada de gordura, oferecem uma certa margem de erro.
  Se essa margem de erro for decisiva na busca do peso ideal, o problema deixa de existir com a entrada no mercado de um novo aparelho, que funciona à base de corrente elétrica. O equipamento dá a porcentagem de gordura de cada indivíduo com margem de erro de cerca de 1%, segundo um dos introdutores dessa técnica no Brasil, o profissional de educação física e especialista em fisiologia do exercício Ronaldo Mattar. Denominada bioimpedância, a técnica já está sendo usada em consultórios e academias de Londrina.
  No novo método são colocados eletrodos nos pés e mãos do paciente, por onde passa uma corrente elétrica de baixa intensidade. Como a gordura impede a passagem de energia, é possível calcular o índice de gordura do corpo através da quantiade de energia detectada pelo aparelho. O procedimento é rápido e indolor e a maior vantagem, segundo a endocrinologista londrinense Sandra Marcantônio, é a possibilidade de leitura da massa magra do paciente, composta por músculos. ‘‘Nenhum método é totalmente seguro, somente a tomografia, que é muito cara. Em qualquer método é possível errar e as medições devem ser feitas com freqüência e pela mesma pessoa’’, completa.
  Mas, independente da técnica utilizada para saber a quantidade de gordura do corpo, as pessoas precisam aprender a respeitar o próprio corpo e não se fixar tanto nos modelos de beleza impostos pela mídia. Desde o início dos anos 1990, o padrão de mulher bonita tem sido mostrado através de modelos magérrimas. Curvas como a da ex-modelo Luiza Brunet, ícone dos anos 80, foram substituídas por silhuetas anoréxicas de modelos como Kate Moss e Shirley Malmann.
Composição corporal Além da questão estética, o excesso de peso é culpado pela maioria dos casos de hipertensão, diabetes, colesterol e problemas do coração. E mais do que seguir padrões de beleza, a perda do excesso de peso é uma aliada de uma vida saudável. Não existem dados precisos sobre a obesidade no Brasil, mas estudos feitos nos Estados Unidos mostram que o número de pessoas acima do peso no país dobrou nos últimos 50 anos.
  Mattar explica que o peso humano é composto de ossos, gordura, músculos e resíduos. Muitas vezes, a pessoa que está acima do peso possui mais gordura do que deveria e pouco músculo. O que é preciso fazer nesses casos, é melhorar a composição corporal aumentando a quantidade de músculos e diminuindo a de gordura. O que acontece é que essa troca de gordura por músculo acaba não aparecendo muito na balança e as pessoas têm a sensação de não estar emegrecendo. ‘‘Nem sempre emagrecer é perder peso. Na maioria dos casos é melhorar a composição corporal e tornar a pessoa mais saudável’’, comenta.
  Por isso as tabelas de peso e altura fixos não são muito confiáveis. Uma das melhores maneiras caseiras de saber se o visual está dentro do normal e saudável é calcular o Índice de Massa Corporal (IMC). Para saber o seu basta dividir o seu peso pela sua altura ao quadrado, ou seja, uma pessoa que pesa 70 quilos e tem 1,70 metro de altura deve dividir 70 por 2,89. Se o resultado da conta ficar entre 22 e 27, o peso está dentro do normal; abaixo disso os médicos consideram que a pessoa está com desnutrição e, acima, com resultados entre 27 e 32, está no chamado sobrepeso; acima desses números o paciente é considerado obeso.
Origem De onde vem a obesidade? Por que alguns ganham peso com facilidade enquanto outros comem de tudo e não ganham um quilinho sequer? Mattar afirma que cerca de 10% a 20% dos casos de obesidade estão relacionados a problemas de saúde. Os outros são provenientes de má alimentação, falta de atividade física ou dos dois fatos juntos. O metabolismo lento, culpado pelo ganho de peso de várias pessoas, segundo ele não é tão vilão assim. ‘‘Existem diferenças de metabolismo, claro. Mas ninguém tem um sistema tão lento a ponto de ganhar peso só por causa dele. Na maioria das vezes, os hábitos são os maiores culpados’’, afirma.
  O especialista afirma que, em geral, crianças acima do peso vêm de famílias onde os pais também não se preocupam com a aparência e o controle do peso. Na maioria dos casos, são famílias que se alimentam mal e não têm o hábito de praticar esportes. O grande problema de criar os filhos de forma errada com relação ao cuidado com o peso, é que uma criança gorda terá mais dificuldade de ser um adulto magro. ‘‘As crianças acumulam gordura dentro das células adiposas e essa gordura é mais difícil de ser eliminada. Outro problema vai ser mudar hábitos cultivados desde pequeno, como comer muitos doces e beber refrigerantes’’, explica.
Equilíbrio Manter a forma e garantir a saúde não significa cortar completamente doces e gorduras, mas manter o equilíbrio na alimentação. Mattar explica que a gordura é importante para o corpo humano por ser responsável pela absorção de algumas vitaminas, como a A, D e E. ‘‘Além de ser útil na absorção das vitaminas, a gordura é grande fonte de calorias necessárias para que o corpo funcione bem. O correto é comer gordura em pequenas quantidades, completa. Até mesmo os vegetarianos radicais, que se alimentam apenas de frutas, verduras e legumes, podem ter problemas devido à dieta restrita em proteína animal. ‘‘Comer só legumes e verduras não é receita de vida saudável. Quem não come carne deve ao menos ingerir ovos ou leite’’, ensina.
  O que não pode nunca ser esquecido para quem quer manter o peso e até perder alguns quilinhos são os exercícios físicos. Mattar afirma que eles são fundamentais para contruir um corpo com a quantidade certa de gordura, músculos e formas. ‘‘Mas é sempre importante consultar um médico ou especialista na área de composição corporal antes de fazer exercícios’’, finaliza.

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