Para a psicóloga clínica Simone Oliani, essa situação será mais ou menos complicada, dependendo de como foi o processo de separação do casal. ‘‘É preciso ter consciência de que a separação não significa a destruição da família. Os filhos precisam continuar tendo contato com os pais continuamente e não apenas no Natal ou Ano Novo’’, afirma a psicóloga. Simone Oliani ressalta que depende também do tempo em que o casal está separado. ‘‘Estudos indicam que a família demora de dois a cinco anos para se recuperar de uma separação’’, acrescenta.
Na opinião da psicóloga, a decisão de com quem o filho vai passar o Natal ou o Réveillon não deve ser da mãe ou do pai, mas da criança. ‘‘Isso deve ser discutido com ela de forma clara e objetiva. Os filhos não devem ser objeto de disputa dos pais. O bem-estar da criança deve estar acima dos rancores que porventura o casal ainda alimenta’’, observa. Para Simone Oliani, se a opção for pela reunião da família, isso deve acontecer em clima de cordialidade. ‘‘Existem casais que, mesmo separados, resolvem se reunir nesta época do ano por causa dos filhos. Isso é válido desde que não existam conflitos’’, diz a psicóloga.
‘‘Como no Brasil a maioria comemora o Natal de acordo com os valores cristãos, que reforçam a união familiar, os casais separados e seus filhos ficam mais expostos ao sentimento de perda’’, comenta Simone Oliani. Portanto, ela ressalta que a separação não pode ser encarada como o fim da família. ‘‘Não existem ex-pais, ex-mães ou ex-filhos’’, enfatiza. Ela lembra que muitos cônjuges, que ficam com a guarda dos filhos, programam viagem para esta época do ano para não deixar a criança passar o Natal ou Réveillon com o outro. ‘‘Essa mãe ou pai não está punindo seu ex-companheiro, mas o próprio filho que não tem culpa da separação dos pais. A criança precisam ser poupada desse tipo de disputa’’, afirma a psicóloga Simone Oliani.

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