O beabá da etiqueta social
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quinta-feira, 20 de maio de 2010
Cristiana Vieira 
Tem gente que nasce com o gene da elegância. Outros tentam ''adquiri-lo'' em aulas de boas maneiras, nas quais aprendem a arte se portar, de receber bem e até como evitar gafes. Há, ainda, quem fuja de regrinhas, por vezes ultrapassadas, e busque um diferencial no comportamento.
A professora de etiqueta Christine Yufon, uma chinesa de coração brasileiro, há mais de quatro décadas vem encantando alunos da alta classe com aulas de etiqueta que foge do convencional.
Engana-se quem pensa que vai ter o beabá na primeira aula. De cara, Christine dá uma lição de vida, contando um pouco da sua história e falando sobre valores. ''Se eu dissesse que minha aula é de filosofia, não haveria nenhuma interessada. Mas, no fundo, é isso o que cada uma aprende'', diz a elegantíssima senhora de olhos marcantes e postura formosa.
E para que ninguém saia da sua aula inaugural sem sentir o gostinho do que virá pela frente, Christine bota as alunas para desfilarem pelo seu tapete vermelho. Impossível não perceber uma certa tensão. Mas a experiente professora age naturalmente e analisa cada passo, o peso da pisada, o equilíbrio, o rebolado e detalhes que, até então, eram imperceptíveis para cada uma. O diagnóstico é personalizado e vem com dicas de como realçar o que se tem de bonito e até como usar aquilo de que não se gosta.
Vinda de uma família tradicional do Paraná, que valoriza a etiqueta, Michelle Caetano procurou Christine para ser ''lapidada''. ''Não esperava uma aula de filosofia da boa postura, mas acho importante perceber que a etiqueta vem de dentro para fora'', conclui a jovem. Depois da primeira aula em grupo, Michelle passou a ter aulas particulares.
Christine Yufon tem um sotaque carregado de quem viveu muitos anos na Inglaterra. Passou grande parte da vida como instrutora de modelos e de misses, e até hoje ensina o que chama de postura visual, ''que toma forma no interior e reflete na aparência''. Seu objetivo, conta, é ''ensinar a aproveitar a essência e a força interior, para que cada aluna encontre o equilíbrio não só na passarela, mas também na vida.''
Cotovelos na mesa
Com um espírito brincalhão e sem delongas, a gaúcha Doris Azevedo quebra um pouco da formalidade e da histeria que se instala em uma mesa repleta de taças e talheres. Como boa questionadora que é, usa o seu incansável ''por quê?'' para romper regras que se perderam no tempo.
Ela ficava indignada por não poder apoiar seus cotovelos na mesa depois de um belo jantar. ''Se justificarem, eu sigo'', diz. Para ter argumentos, fez uma profunda pesquisa e descobriu que, na Itália Renascentista, o cotovelo era considerado uma zona erógena.
Até uma situação que poderia ser encarada como ''saia-justa'', Doris torna divertida. Diz que, quando a empregada convida a patroa para ser sua madrinha de casamento, a madame não pode se vestir simplesinha, porque o que a noiva quer é a poderosa em seu altar.
Lição de casa
- Em uma recepção, a mesa deve ser acolhedora, agradável e bonita. Os anfitriões sentam-se à cabeceira ou ao meio dela. O convidado de honra fica à direita da anfitriã, enquanto a convidada, à direita do anfitrião. Quando não houver convidado de honra, esse lugar pode ser cedido ao casal mais idoso.
- Sente-se depois de a anfitriã se sentar.
- Use os talheres de fora para dentro, ou seja, começando pelos que estiverem mais afastados do prato.
- Limpe os lábios antes de tomar qualquer bebida, pressionando levemente o guardanapo contra a boca.
- Segure a taça pela haste.
- Em um coquetel, sirva-se dos comes e bebes pegando-os com a mão. O guardanapo serve para limpar a ponta dos dedos.
- Não é de bom tom servir-se do último salgado que restou na bandeja.
- Os talheres podem descansar com o cabo apoiado nas bordas do prato.
- Se você é canhota, espere que a comida seja servida para inverter os talheres.
- Caroços de uva ou de azeitona podem ser cuspidos delicadamente na mão fechada, em forma de cone, e depois deixados na borda do prato. Assim como espinhas e ossos.
- Tem de comer tudo o que está no prato? Quando somos servidos por outra pessoa, não somos obrigados a comer tudo. Mas quando a própria pessoa se serve, deve ter o cuidado de colocar apenas o que vai comer.
- No restaurante, ao encontrar amigos ou conhecidos saboreando sua refeição, simplesmente sorria e acene. Nada de interromper a refeição deles. Ao sair, se eles ainda estiverem no restaurante, acene.
- É deselegante retocar a maquiagem ou pentear os cabelos em público. Vá ao toalete, recomponha o visual, e volte maravilhosa.
- Evite gesticular com algum talher na mão.
- Palitos jamais! É deselegante e de mau gosto palitar os dentes na presença de outras pessoas, e devem ser usados no banheiro. (C.V./AE)


