O bê-á-bá da profissão
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 13 de agosto de 1998
Cleide Cavalcante Agência Estado 
Em Anjo Mau, a novela das seis exibida no ano passado pela Rede Globo, a protagonista da trama (Nice, interpretada por Glória Pires) está prestes a realizar seu grande sonho: casar-se com o patrão Rodrigo (Kadu Moliterno), depois de armar mil e uma manobras para atingir seu objetivo. A vida real mostra que isso não é tão impossível assim. Eu soube de um caso em que a babá acabou ficando com o patrão que a contratou, conta Cristiane Kapaz, do Projeto Cuidar, uma empresa que coloca babás no mercado de trabalho. Mas são casos raríssimos, já que empresas como a Cuidar preparam suas profissionais para evitar que seus clientes tenham qualquer tipo de problema.
Em um ano e meio de funcionamento, a agência treinou e empregou cerca de 40 profissionais. Também oferecemos cursos para babás que desejam trabalhar com crianças especiais, destaca Cristiane. Esses cursos são ministrados por profissionais especializados como psicólogos, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais, pediatras, entre outros. As alunas também têm contato com a parte teórica do aprendizado, visitando instituições e escolas infantis.
Para fazer o cadastro na Cuidar, é necessário ter primeiro grau completo e idade mínima de 22 anos. A candidata também tem de passar por uma entrevista seletiva, feita por uma psicóloga. Segundo Cristiane, as famílias ligam para a agência e descrevem o perfil que acreditam ser o ideal para a babá que pretendem contratar, e dificilmente admitem uma mulher com mais de 35 anos. Uma babá deve ter boa aparência, mas jamais representar uma ameaça para a dona da casa. Uma moça muito bonita dificilmente consegue emprego como babá, conta a publicitária.
Apesar disso, segundo Cristiane, a procura por esse tipo de serviço é relativamente grande. As famílias sentem falta de pessoas qualificadas e em quem podem confiar, enfatiza. As qualidades essenciais a uma boa babá são o bom humor, os cuidados com a limpeza, a prestatividade e a disposição para o trabalho. A babá acompanha a criança em festinhas, entra na vida do casal e, por isso, deve ter noção de limites. Não deixa de ser uma relação muito delicada.


