O bê-a-bá da matemática
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sexta-feira, 10 de fevereiro de 2006
Herika Fondazzi<br> Reportagem Local 
Gostar de matemática parece coisa de nerd. Muita gente tem até arrepios ao lembrar das fórmulas e contas aprendidas na escola. Foi para ajudar seu filho a perder esse medo que o professor de matemática japonês Toru Kumon desenvolveu, em 1958, um método de ensino famoso em 44 países e usado por cerca de 3,8 milhões de pessoas no mundo.
Tornar o aluno autodidata, respeitando seu ritmo de aprendizado, é a proposta do método Kumon, que já é usado para o ensino de línguas como português, inglês e japonês, além da tradicional matemática. ''Cada aluno segue o seu ritmo, e só avança para a etapa seguinte quando consegue nota máxima na lição anterior'', garante o gerente da filial londrinense do Kumon, Nelson Katsushi Endo.
Procurado muitas vezes por alunos com dificuldade na escola, o Kumon usa a repetição de exercícios simples para ajudar na execução dos exercícios mais complexos. ''Muitas vezes, o aluno tem dificuldade em frações porque não aprendeu direito como fazer contas de dividir. Ele precisa voltar e aprender o básico, fazendo vários exercícios para que a velocidade de raciocínio melhore'', explica.
Além de velocidade, o aluno aprende a ter concentração, lógica e organização nos estudos. ''Quando o aluno erra um exercício, ele é orientado pelo professor a procurar o erro e tentar corrigi-lo sozinho. Como o aprendizado começa com tópicos simples, isso faz a criança ganhar confiança e independência'', afirma.
Com isso, é possível acelerar os estudos e aprender, ainda no ensino fundamental, conteúdos do ensino médio. ''Não visamos a melhora imediata no aluno. Ela acontece com o tempo, quando a pessoa desenvolve uma rotina de estudos, a postura autodidata e o desejo de aprender'', diz Nelson.
Para o ensino de línguas, as aulas são como no estudo de matemática, começando com noções simples e usando repetição. ''O material vem com um CD para o treino auditivo e o aluno é incentivado a estudar todos os dias, por causa das tarefas. Com o contato diário, o vocabulário aumenta e a capacidade de ler, escrever, ouvir e falar melhora'', explica.
Quem experimentou o método garante que ele dá bons resultados. A estudante Larissa Muliterno, 16 anos, procurou o Kumon por problemas com matemática e agora faz o curso de português para se preparar para o vestibular. ''Em três meses eu melhorei muito na escola e hoje sou uma das melhores alunas em matemática. A concentração aumenta muito e isso ajuda a não errar os exercícios. Nem calculadora eu uso mais'', conta.


