A vida escolar e o aprendizado que ela exige são fundamentais na vida de qualquer criança. Professores, colegas, experiências novas e desafios constantes contribuem para a formação do indivíduo e para o crescimento intelectual e psicológico dos alunos.
Infelizmente nem todas as crianças tinham acesso a essas oportunidades. Problemas de audição, visão e outras deficiências físicas ou mentais impediam essas crianças de frequentar escolas regulares, tendo como única opção as instituições especializadas.
Para reverter essa situação, as escolas da rede pública lançaram, no ano passado, uma campanha para incentivar a matrícula de alunos especiais em escolas regulares, capacitando professores e outros funcionários para atender esse público.
''No Paraná, desde 1989 existe uma deliberação que diz que as escolas estaduais devem prestar atendimento a alunos com necessidades especiais, mas a procura praticamente não existia'', comenta a coordenadora para inclusão de alunos com deficiência física do Núcleo Regional de Educação de Londrina, Edilene Fredegotto. O problema era que, sabendo da falta de estrutura do Estado, muitos pais preferiam matricular seus filhos em instituições próprias para o atendimento de crianças especiais.
Mudanças De acordo com Edilene e outras coordenadoras da rede estadual, as escolas e colégios estão se adaptando para receber alunos com as mais variadas necessidades. ''Além de adaptar a estrutura física estamos promovendo cursos e seminários com os professores e contratando auxiliares comm esse objetivo. As mudanças estão acontecendo de acordo com a procura'', diz a coordenadora para alunos com deficiência auditiva, Dulce Pascoalina Romero.
Um bom exemplo são as aulas de libras (sistema de sinais brasileiro), oferecidas aos professores que irão trabalhar com as crianças que não ouvem, e a contratação de tradutores. ''São pessoas que se comunicam através de sinais e ficam o tempo todo na sala, ajudando o aluno a entender o que o professor fala para os demais'', explica Dulce.
Para os deficientes físicos, como cadeiristas, as escolas estão ganhando rampas de acesso, banheiros e carteiras adaptadas. Os deficientes visuais já podem contar com o apoio de máquinas para escrever e tradutores que passam o material impresso para o braille. ''Os professores que atendem esses alunos também são orientados a falar mais em sala e escrever menos. Para aqueles que não têm a visão totalmente comprometida existem lupas e materiais ampliados para facilitar a leitura'', diz a coordenadora para alunos com deficiência visual, Shirley Alves Godoy.
Avaliação Com as mudanças, os alunos que possuem algum comprometimento mental também estão sendo aceitos nas escolas públicas. Para facilitar a inclusão, essas crianças têm uma sala especial para atendê-los no início, posteriormente podem assistir aulas com os demais alunos. ''Eles passam por uma avaliação com um psicopedagogo e cada caso é analisado separadamente. Aqueles que têm comprometimento muito grave não podem assistir às aulas regulares. Já nos casos mais simples, e dependendo da idade, as crianças passam a frequentar as aulas regulares e as salas de recursos criadas para ajudar em situações difíceis'', afirma a coordenadora para inclusão de alunos com deficiência mental, Ângela Maria Piassa.
Não são apenas crianças com deficiências que têm acesso a esse programa, os superdotados e com alta habilidade também recebem atenção especial. ''Elas têm um espaço de recursos para desenvolver suas capacidades e estamos trabalhando com enriquecimento curricular. Mas assistem aulas nas turmas regulares e depois nas classes especiais'', garante Fabiane Chueire Cianca, coordenadora para inclusão de alunos com inteligência e habilidades acima do normal.
As especialistas reconhecem que ainda há muito para ser feito nessa área, que ainda está em fase de estruturação.
''Precisamos melhorar principalmente a capacitação dos professores. Até porque, em relação aos alunos, a convivência têm sido muito boa, e os especiais estão se saindo muito bem no desenvolvimento e no desempenho. A inclusão é uma chance para o especial se socializar com os demais e para os regulares aprenderem coisas novas e desenvolverem o senso de cidadania, fraternidade e companheirismo'', observa Edilene.

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