Num mundo com uma população de um bilhão de pessoas obesas, as alternativas para perder peso têm se multiplicado e aparecido em número cada vez maior. A obesidade é apontada por organismos internacionais da área da saúde como um dos principais problemas do planeta na atualidade uma epidemia que surgiu há 20 anos e não pára de crescer.
Dietas milagrosas e até técnicas radicais como a cirurgia de redução do estômago são apresentadas como alternativas para pessoas que lutam de todas as formas contra a gordura em busca das tão sonhadas elegância e qualidade de vida. Mas não existe uma fórmula mágica. Qualquer uma dessas técnicas tem seu sucesso aliado à disciplina da pessoa. Não adianta fechar a boca e fazer cirurgias se não houver a prática de hábitos saudáveis.
Sem anestesia A medicina não se cansa pesquisar e introduzir novos métodos para ajudar os obesos a dar o pontapé inicial na eliminação do excesso de gordura. Um dos mais mais recentes aliados nesse processo é o balão intragástrico. Um balão de silicone que é colocado vazio no interior do estômago através de endoscopia. Depois disso, como explica o médico gastroenterologista Milton Ogawa, através de um catéter, ele é preenchido com soro fisiológico misturado com azul de metileno. A técnica tem ainda a vantagem de ser um procedimento rápido no máximo meia hora , realizado em ambulatório e não necessita de anestesia. O paciente é apenas sedado, como ocorre nos exames do aparelho digestivo.
O balão cheio, como explica o médico, estimula a sensação de saciedade precoce, pois apenas 20% da área que recebe comida fica disponível. Essa área fica na parte superior do estômago onde se concentram os ramos nervosos. Eles enviam a sensação de saciedade ao hipotálamo parte do cérebro que controla o metabolismo.
A capacidade do balão varia entre 400 e 800 ml, enquanto a do estômago é de 1.200ml a 1.500ml. A pessoa pode perder, de acordo com Milton, até 20% do peso inicial. Mas a bola de silicone sozinha não resolve o problema. É preciso a adoção de ações conjuntas, como uma dieta balanceada de 1.200 calorias e a prática de atividades físicas.
Riscos O processo, como alerta o médico, é temporário o produto pode ficar no estômago cerca de seis meses. Esse tempo, informa Milton, é suficiente para a correção de erros na alimentação. Nesse período o paciente é acompanhado por nutricionista e psicólogo e às vezes até psiquiatra. ''Ou a pessoa emagrece com uma dieta bem conduzida, ou então restam as alternativas radicais como a redução do estômago''. O valor do tratamento é de R$ 8 mil, já inclusos os acompanhamentos e a retirada do balão.
Milton Ogawa diz que nos três primeiros dias após a introdução da bola de silicone, a pessoa pode sofrer cólicas, náuseas e vômitos. Como o objeto é um corpo estranho, ele estimula também a produção das secreções gástricas. Por isso, antes de colocar o balão, o paciente deve passar por uma avaliação para detectar possíveis problemas estomacais, como gastrites, que precisam ser tratados primeiro.
Os riscos do tratamento, como o rompimento do balão, segundo o gastroenterologista são de apenas 1%. Por isso, o corante é acrescido ao soro fisiológico, quando há rompimento o aviso é dado pela urina. Uma válvula especial garante o fechamento do balão. O material pode sofrer também a ação dos ácidos estomacais.
O procedimento não é recente. Métodos parecidos eram utilizados desde 1987, mas os materiais utilizados eram mais agressivos à parede estomacal. Outra desvantagem das técnicas anteriores, lembra Milton, é que eram cheias de ar, assim não tinham o ''peso'' necessário para que as mensagens de saciedade fossem enviadas pelo estômago. A indicação era apenas para pacientes que corriam riscos em cirurgias, cardíacos e diabéticos.
O médico explica que o balão intragástrico de silicone foi introduzido há cerca de dois anos. O uso no País passou por um protocolo junto ao Ministério da Saúde, e apenas alguns profissionais tinham permissão para utilizá-lo. Há cerca de seis meses essa prática está sendo liberada para outras clínicas. n

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