O cantor Renato Russo ajudou a eternizar em uma de suas canções (''Monte Castelo'') o trecho bíblico que diz que ''só o amor que conhece o que é verdade'' e que ''sem amor nada seríamos''. É, sem dúvida, um sentimento capaz de transformar pessoas e superar grandes barreiras. A empresária Aline Alves Vicente e o marido, o também empresário Hazem Khoury, que o diga. Juntos há sete anos, já perderam a conta dos obstáculos que venceram em nome do amor.
Natural de Amã (Jordânia), ele precisou enfrentar a família e passar por cima de uma série de convicções culturais para levar adiante o relacionamento com a brasileira, de Londrina. Aline também teve que se impor diante de alguns amigos e familiares que demonstraram receio quando ela anunciou o romance. ''Os meus pais se preocuparam quando souberam que ele é árabe. Tinham medo dele ser conservador, buscar uma mulher submissa e até cogitaram a possibilidade de um dia ele levar um filho nosso embora'', revela Aline, que está grávida de seis meses de Lucca, o primeiro filho do casal, cuja união foi oficializada em 2010 no civil e 2011 no religioso.
Hazem, que está aprendendo português e ainda tem forte sotaque árabe, afirma que quando falou do relacionamento para a família ''foi um caos''. Ele era prometido para uma prima, seguindo a tradição árabe em que as famílias ''arrumam'' o casamento dos filhos ainda na infância. Tudo mudou, no entanto, quando ele conheceu Aline em meados de 2005, na Florida (EUA). Ambos são formados em Hotelaria e Turismo e estavam fazendo estágio em um hotel norte-americano.
Apesar do susto inicial, aos poucos as famílias foram aceitando o relacionamento. A mãe de Hazem, quando soube do namoro, foi aos Estados Unidos conhecer Aline. ''Ela ficou meses me observando. Na cultura deles (árabes) a mulher tem que cuidar do marido. Eles passaram a respeitar a minha independência e o meu modo de ser porque eu sempre fiz a minha parte enquanto esposa. Procurei ser eu mesma o tempo todo'', conta Aline, ressaltando que o fato de a sogra ter gostado dela foi importante para o restante da família aceitá-la.
Outro ponto positivo, segundo ela, é que a família de Hazem é cristã. ''Apenas 3% dos árabes são cristãos. É bem raro, mas isso ajudou para que ficássemos juntos. Ele tem uma cabeça diferente'', considera.
O idioma foi um dos empecilhos vencidos. ''No início, a gente chegou a usar desenhos e mímicas para se entender. Depois passamos a nos comunicar em inglês e até hoje é assim'', conta Aline, que ainda tem dificuldades para conversar com a família do marido, que fala árabe. ''Meu sogro ainda fala inglês, mas minha sogra é só árabe mesmo. É difícil, temos que recorrer às mímicas e contar com a ajuda das pessoas'', relata.
Segundo Hazem, a comunicação foi realmente complicada. ''Ficava triste porque não conseguia interagir com a família dela. Era muito ruim'', lembra.
Para Aline, um momento marcante foi a primeira vez em que foi a Jordânia. ''Todo mundo ficava me olhando na rua. Percebi as diferenças culturais de perto'', diz.
Morando em Londrina desde 2009, onde abriu uma loja de produtos árabes, o casal afirma estar feliz. ''Com a loja conheci outros árabes que vivem na cidade. Isso foi muito legal'', diz Hazem, admitindo que ainda estranha a culinária brasileira. ''Falta tempero'', opina.
O desafio agora é ensinar o filho Lucca a falar árabe e conhecer a cultura do pai. ''Eles estão felizes porque Hazem vai ter um filho homem. Imagina se eles não conseguirem se comunicar com o neto? Já compramos alguns DVDs em árabe para Lucca se familiarizar com o idioma desde cedo. Ele vai crescer em contato com o português, inglês e árabe'', diz a futura mãe.
Tão distante, tão perto
Há quase dez anos, a advogada londrinense Patricia Azevedo Aranda e o estudante de Medicina Lauro Freitas driblam a distância para ficarem juntos. Quando começaram a namorar, em novembro de 2002, ele morava em Araçatuba (SP) com a família. Atualmente, reside em Uberaba (MG) para estudar, ficando quase 700 quilômetros distante da namorada. ''No início não acreditava que daria muito certo, mas o amor, a confiança e a segurança que ele sempre me passou contribuíram para o sucesso do relacionamento'', afirma Patricia.
Para minimizar a saudade, o casal se comunica várias vezes ao dia pelo celular. ''Apesar da distância, conseguimos participar ativamente da vida um do outro'', ressalta. No início, segundo ela, as contas de telefone eram muito caras, mas com o tempo aprenderam a aproveitar os descontos e as facilidades que as empresas de telefonia proporcionam. ''A comunicação ficou mais frequente e com um custo muito baixo'', comemora.
Além das vantagens oferecidas pelos serviços de telefonia, o casal também fica atento às promoções das companhias aéreas. ''Conseguimos nos ver pelo menos um final de semana por mês e aproveitamos os feriados prolongados'', conta Patricia, que já se acostumou com as idas e vindas na estrada.
Para ela, o namoro a distância somente é possível se houver muita confiança e amor.''Acima de tudo é preciso ter certeza do que se quer. Sentir que é a pessoa que você sempre quis ter ao seu lado, que é alguém que você pode contar em todas as situações'', define.
Patricia destaca que está esperando o namorado concluir a faculdade para acabar definitivamente com a distância que os separa no dia a dia. ''Queremos construir uma família feliz juntos. Quero compartilhar com ele todos os momentos da minha vida'', declara-se.

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