O amor não é cego
No começo, a inibição disfarça o interesse
Olhos nos olhos: é o início da aproximação
Já mais próximos, o sorriso mais constante, o carinho vai ficando mais natural
Nesta etapa do jogo não existem mais barreiras. A dança da conquista está concluída
O professor Aílton Amélio da Silva, doutor em psicologia, realiza há mais dez anos um trabalho sobre relacionamento amoroso, namoro e paquera na Universidade de São Paulo. Ele está coordenando três cursos no departamento de Psicologia Experimental da USP, dois de graduação e um de pós-graduação em relacionamento amoroso. Silva pesquisou mais de mil casais apaixonados. Escreveu cerca de duas mil páginas sobre este assunto e logo deverá transformá-las em livros.
Silva descobriu, por exemplo, que o amor não é cego. Nós, inconscientemente, estamos sempre procurando o tipo ideal, numa discreta seleção mental: Este serve, ou por aquele eu até que me apaixonaria. Às vezes chegamos até a fazer uma espécie de barganha quando o canditato não preenche todos os quesitos, uma espécie de compensação: Ele é feio, mas é charmosinho. É meio burrinha, mas é gostosa.
O doutor em namoro e paquera conta que no ano passado, o cientista americano Robert Sternberg, da Yale University, classificou 25 tipos de Histórias de Amor que as pessoas teimam em viver. Ele acredita que o ser humano imagina um roteiro de amor que gostaria de ver realizado com ele no papel principal. Algumas pessoas passam a vida inteira tentando se enquadrar nessa história, conta Aílton Silva. Ele ressalta que para complicar ainda mais a relação amorosa das pessoas, muitas delas estudam o que é importante no parceiro ideal e tentam forçar o companheiro de carne e osso a viver este papel, na maioria dos casos, sem sucesso. Existem muitos casais forçando a barra porque acreditam que um dia o parceiro vai acabar decorando o texto desse personagem imaginário, conta o professor da USP. Ele diz que Bernberg classificou 25 tipos de relacionamentos , que ele chama de Histories of Love. Tem aqueles parceiros viciados em amor, parceiros que vivem juntos porque amam as artes; casais unidos pelo prazer de fazer negócios; e os que ele chama de casos de jardinagem, aqueles em que os dois acreditam que todos os dias precisam regar a relação para que o amor não morra.
Ficha técnica:
Fotos: Marcos Negrini; modelos: Roberta Infante Vieira e Giuliano Sardanha; maquiagem: Monika Ganem; cabelo: Gil, do Gil Haute Coiffure





