Estimular a prevenção de doenças cardiovasculares entre as mulheres tornou-se meta prioritária entre médicos e as principais fundações mundiais voltadas ao diagnóstico e tratamento para a saúde do coração. Afinal, segundo a Federação Mundial de Cardiologia (com sede em Genebra, na Suíça), 8,6 milhões de mulheres morrem por ano, em todo o mundo, em decorrência de infartos e derrames, correspondendo a 52% dos casos fatais destas que são as principais doenças cardíacas.
  Na cartilha, divulgada na semana passada pela Associação Americana do Coração e endereçada às mulheres, assim como na campanha mundial que será lançada pela federação amanhã, 14 de fevereiro, Dia dos Namorados nos EUA e na maioria dos da países Europa – e, portanto, data em que muita gente pensa no coração), o bem-estar mental ganhou destaque na lista dos principais fatores que afetam a saúde do coração feminino.
Depressão ‘‘Emoções negativas, ansiedade, estresse no trabalho, isolamento social e principalmente depressão são causas atualmente tão importantes para o aparecimento de doenças cardiovasculares como a conjugação de hormônios com tabaco, colesterol alto, sedentarismo, hipertensão’’, comenta o diretor do Hospital do Coração de Londrina (HCL), André Labrunie. O médico enfatiza que um recente levantamento feito pela Federação Mundial de Cardiologia (incluindo o Brasil entre os mais de 100 países pesquisados) revelou que 45% das pessoas que enfartam, e são atendidas em hospitais de todo o mundo, sofrem de depressão. Além disso, cientistas americanos encontraram fortes evidências de que o estresse mental pode ser fatal para as pessoas portadoras, ou com histórico familiar de problemas cardíacos.
  Por isso a atenção especial com a prevenção entre as mulheres, pois sabe-se que a depressão ataca duas vezes mais mulheres do que homens. ‘‘Sem contar que, somada a toda esta mistura explosiva de fatores de riscos, a mulher também é mais suscetível a alguns distúrbios e emoções presentes no cotidiano, como ansiedade e pânico, ou aborrecimentos generalizados, que podem ter graves repercussões em seu organismo ao longo dos anos. E o alvo é o coração’’, acrescenta Labrunie.
  Com exemplos mais próximos, o diretor cita uma das estatísticas do HCL, hospital especializado em doenças cardiovasculares e em funcionamento há apenas seis meses em Londrina: as mulheres respondem por 46% do número total de atendimentos realizados neste período. ‘‘Sendo que, dentre estas, mais da metade (54%) tiveram que ser submetidas a um algum tipo de tratamento cirúrgico’’, ressalta Labrunie.
Amores e afetos ‘‘O coração é um órgão vital, centro motor da circulação do sangue e também a suposta sede da sensibilidade moral, das paixões, sentimentos, amores e afetos’’, argumenta a psicóloga Ana Elisa Salomão Bosquê. Especialista em psicologia hospitalar, e atuando há mais de dez anos com equipes cardíacas, ela cita um de seus recentes atendimentos para ilustrar a importante relação entre emoções e doenças cardiovasculares.
  ‘‘Ao atender uma paciente de 62 anos, com coronárias entupidas, perguntei há quanto tempo sentia a dor (que referia) e ela respondeu que desde a perda de seu filho, ocorrida há vinte anos’’.
  Segundo a psicóloga, não há como excluir os processos emocionais para a compreensão e o diagnóstico das doenças cardiovasculares. ‘‘Devemos pensar neste paciente como um ser biopsicossocial. No trabalho com cardiopatas, é preciso oferecer ‘‘escuta’’ e compreender este sofrimento. E mais: auxiliar a paciente para que entenda que o adoecer gera sofrimento psíquico, e que com certeza, o sofrimento psíquico gera doença’’, finaliza Ana Elisa.
  O estresse comprime os vasos sanguíneos e aumenta a pressão arterial e o ritmo dos batimentos cardíacos. Desse modo, o músculo do coração pode não receber todo o sangue de que precisa - uma condição conhecida como isquemia.
Novo salva-vidas?  Um top munido de um dispositivo que mede as batidas do coração e a pressão sangüínea e que pode acionar o serviço de emergência hospitalar no primeiro sinal de problema cardíaco. Esse é o projeto desenvolvido por um grupo de pesquisadores holandeses que acabou criando uma forma não invasiva de monitoramento cardíaco.
  Concebida pela gigante da eletrônica Philips, a peça high tech tem eletrodos costurados dentro do próprio tecido, que usa a fibra do pano para enviar informações para um pequeno microprocessador. O microprocessador tem capacidade para analisar os sinais recebidos e identificar as mudanças perigosas nos batimentos cardíacos da usuária.
  Segundo um dos pesquisadores, Koen Joose, a peça íntima (que talvez ainda demore para chegar às vitrines) está sendo criada para, além de ser confortável, também poder ser lavada em máquinas e até ser passada a ferro caso necessário. (Da Redação)

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